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Questão FC378844

Em Seca Seculorum, flagelo e mito na economia rural piauiense, Manuel Domingos Neto e Geraldo Almeida Borges (1983), ao tratarem da intervenção produzida pelo Poder Público na zona

História do Brasil

NUCEPE UESPI · 2019

Em Seca Seculorum, flagelo e mito na economia rural piauiense, Manuel Domingos Neto e Geraldo Almeida Borges (1983), ao tratarem da intervenção produzida pelo Poder Público na zona “flagelada pela seca” afirmaram que:

 

Trata-se de uma intervenção bastante antiga e que se caracterizou pela insistência em determinadas práticas de efeitos sociais marcadamente negativos. Se não deteve os “efeitos da seca” passou a fazer parte integrante das condições objetivas em que essa emergia. Como saldo, essa intervenção não ofereceu exatamente uma redução nas proporções do fenômeno, mas , sim, sua perpetuação , mesmo que com roupagem levemente retocada.

 

(DOMINGOS NETO, Manuel e BORGES, Geraldo Almeida. Seca Seculorum, flagelo e mito na economia rural piauiense. Teresina, Fundação Cepro,1983, p. 121)

 

Sobre a intervenção do Estado ante a seca no Nordeste/Piauí, os autores afirmam que

  1. as políticas do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS) e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) voltaram-se para questões relativas à sociedade e economia locais, afastando-se das causas naturais, em que propostas de enfrentamento do fenômeno teriam maior possibilidade de sucesso.
  2. a grande quantidade de açudes construídos no Piauí pelo DNOCS, até o final da década de 1960, evidencia que, nesse período, existia uma política governamental permanente e assentada em critérios estratégicos e definidos conforme as necessidades e características dessa região.
  3. a corrupção e uma variedade de dificuldades técnico-operacionais, apontadas nos relatórios governamentais sobre a implementação dos programas de combate à seca no Nordeste, foram, segundo os pesquisadores supracitados, utilizados como fundamentos sólidos para combater a “concepção hidráulica” de solução do fenômeno no Nordeste.
  4. a construção de açudes, cercas, aguadas, barreiros, bem como a realização de desmatamentos e a abertura e conservação de estradas no Nordeste, sempre estiveram relacionadas à criação das “frentes de serviço”, estratégia positiva de retenção da mão de obra nos contextos de crise, com benefícios sobretudo para a grande propriedade.
  5. no Piauí a intervenção do Estado na crise da “seca” contribuiu para permanência de uma população significativa da pequena e média propriedade, em face de medidas de implantação de assentamentos rurais que minimizaram os efeitos do intenso processo de concentração da posse da terra .
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Gabarito

D

Comentário do professor

Os autores afirmam que obras como açudes, barreiros, aguadas, cercas, desmatamentos e estradas foram articuladas por meio das frentes de serviço.

Essas frentes ofereciam trabalho temporário à população afetada, funcionando como estratégia de retenção da mão de obra em períodos de crise.
O objetivo imediato era evitar êxodos e manter trabalhadores disponíveis.

Na prática, as ações beneficiaram sobretudo a grande propriedade, que passou a dispor de infraestrutura hídrica e de vias de circulação, reforçando sua posição econômica e social.

Ao privilegiar emprego emergencial e obras de manutenção, o Estado não promoveu mudanças estruturais na distribuição de terra ou no acesso sustentável à água.
Houve, assim, a perpetuação da seca como condição social, mais do que sua superação.

Portanto, a intervenção estatal integrou-se às condições objetivas da região, garantindo mão de obra e controle social sem resolver as causas profundas da vulnerabilidade.

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