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Questão FC446394

Depois do arroz e do milho, a mandioca é a terceira maior fonte de carboidratos das populações nos trópicos do planeta, fazendo parte da dieta básica de mais de meio bilhão de pess

Química

CEBRASPE (CESPE) · 2024

Depois do arroz e do milho, a mandioca é a terceira maior fonte de carboidratos das populações nos trópicos do planeta, fazendo parte da dieta básica de mais de meio bilhão de pessoas. A mandioca-brava, todavia, pode ser fatal para quem a consome, devido à presença do glicosídeo de acetona cianoidrina. O glicosídeo em si não é venenoso, mas as enzimas do intestino humano, quando o decompõem, liberam cianeto de hidrogênio (HCN), conforme a reação mostrada a seguir, que ocorre em duas etapas.

Jonathan Clayden, Nick Greeves e Stuart Warren. Organic Chemistry. 2. ed.
New York: Oxford University Press Inc., 2012 (tradução livre).

 

Uma pequena quantidade de HCN (a partir de 100 mg/kg de mandioca) é suficiente para matar um ser humano após uma refeição de mandioca não fermentada. Se, todavia, a mandioca for esmagada com água e deixada em repouso, ela irá fermentar e as enzimas da própria mandioca farão o mesmo trabalho e, então, o HCN poderá ser eliminado antes de a mandioca ser cozinhada e consumida — como o HCN é muito volátil, ele evapora na temperatura de cozimento. A mandioca, após esse processo, é segura para consumo, mas ainda contém algum glicosídeo.

 

Algumas doenças reportadas principalmente na África são atribuídas ao consumo prolongado de mandioca-brava. Tendo como referência inicial as informações e a imagem precedentes, julgue o item a seguir.

 

Cianoidrinas podem ser formadas a partir de compostos carbonilados, como aldeídos e cetonas, e de cianeto de sódio em meio ácido, pela adição nucleofílica ao grupo carbonila.

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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação está correta. Cianoidrinas resultam da reação entre compostos com carbonila (aldeídos ou cetonas) e o nucleófilo CN⁻, caracterizando uma adição nucleofílica ao grupo carbonila.

Mecanisticamente ocorre em duas etapas: primeiro o íon cianeto ataca o carbono eletrofílico da carbonila, formando um intermediário alcóxido; em seguida há a protonação desse alcóxido por uma fonte ácida, gerando o álcool e a ligação C–CN. O produto geral pode ser representado por \(R_2C(OH)CN\).

O papel do meio ácido é fornecer prótons para estabilizar o intermediário e permitir a formação isolável da cianoidrina, sem tornar o meio tão ácido a ponto de consumir completamente o nucleófilo. Esse processo explica como derivados carbonilados dão origem a cianoidrinas em condições adequadas.

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