Questão FC454601
Boa parte das análises de impacto de políticas públicas envolve o que se chama análise contrafactual, ou seja, tenta-se responder à pergunta “o que aconteceria se a política não fo
Econometria
CEBRASPE (CESPE) · 2022
Boa parte das análises de impacto de políticas públicas envolve o que se chama análise contrafactual, ou seja, tenta-se responder à pergunta “o que aconteceria se a política não fosse implementada?”. Outra parte consiste em comparar o comportamento de determinada variável de interesse antes e depois de certo ponto de referência no tempo, geralmente o ponto em que a política foi iniciada ou passou a ter efeitos mensuráveis. A econometria, então, passou a usar novos métodos, que vão além da pura análise de regressões lineares, apesar de ainda fazerem uso delas quando necessário. Dois desses métodos, com uso bastante extenso em publicações mais recentes, são a análise de descontinuidade na regressão (regression discontinuity design, ou RDD) e o método do controle sintético. Suponha, por exemplo, que se deseje analisar a efetividade da reforma tributária sobre o uso de combustíveis na geração de energia na Finlândia em 2011. Pode-se pensar o que ocorreria se a Finlândia não tivesse realizado a reforma tributária, por um lado, e também qual foi a mudança no consumo dos diversos combustíveis usados para a geração de energia, comparando-se o comportamento desse uso antes e depois de 2011.
Considerando esse contexto, julgue o item subsequente.
Pelo método do controle sintético, verifica-se como o consumo dos diversos combustíveis se comportaria na “Finlândia sintética” nos anos após 2011, sem a reforma tributária em questão, usando os mesmos países e respectivos pesos encontrados na construção da “Finlândia sintética” para calcular esse consumo contrafactual.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O item está certo porque resume corretamente o funcionamento do controle sintético. Essa técnica constrói um grupo de controle artificial que reproduz o comportamento do caso tratado antes da intervenção, combinando outros países com pesos escolhidos para minimizar a discrepância pré‑tratamento.
No exemplo, a Finlândia sintética é formada por uma mistura ponderada de países que não fizeram a reforma. Usam‑se os mesmos países e os mesmos pesos obtidos na fase pré‑2011 para calcular o consumo hipotético de combustíveis após 2011, gerando o contrafactual contra o qual se compara o consumo real.
O método depende de bom ajuste prévio e da ausência de efeitos indiretos entre unidades; com essas condições, a afirmação está correta.
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