Questão FC471840
E, não havendo nas minas outra moeda mais que ouro em pó, o menos que se pedia e dava por qualquer coisa eram oitavas [cerca de 3 gramas e meia]. [Porei] aqui um rol [...] dos preç
História do Brasil
VUNESP · 2006
E, não havendo nas minas outra moeda mais que ouro em pó, o menos que se pedia e dava por qualquer coisa eram oitavas [cerca de 3 gramas e meia]. [Porei] aqui um rol [...] dos preços das coisas que [...] lá se vendiam no ano 1703 [...] Por um boi, cem oitavas. Por uma mão de sessenta espigas de milho, trinta oitavas. Por uma alqueire de farinha de mandioca, quarenta oitavas. Por um queijo do Alentejo, três a quatro oitavas. Por uma cara de açúcar [açúcar em forma de disco] de uma arroba, 32 oitavas. Por um barrilote de vinho, carga de um escravo, cem oitavas...
(André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, 1711.)
As informações apresentadas pelo cronista do século XVIII demonstram que o regime alimentar da população da região das Minas Gerais era
- controlado pela legislação da Metrópole, que reservava o mercado consumidor das minas para as mercadorias européias.
- submetido a uma situação de carestia dos gêneros alimentícios, fato que inviabilizou a continuidade da exploração aurífera na região.
- composto por gêneros nativos da América, produtos transplantados pelos colonizadores para o solo americano e mercadorias importadas.
- precário e insuficiente para o conjunto da população, formada por funcionários lusitanos, garimpeiros e escravos.
- dependente de gêneros extraídos da natureza local, aplicando- se para isso conhecimentos adquiridos com os índios.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O trecho de Antonil revela um consumo formado por origens distintas: gêneros nativos da América, produtos transplantados pelos colonizadores e mercadorias importadas.
Exemplos no rol confirmam essa mistura: milho e farinha de mandioca representam alimentos de origem americana; o boi e o próprio cultivo de certos produtos indicam espécies e práticas trazidas pelos europeus para o Novo Mundo; já o queijo do Alentejo e o vinho são artigos claramente importados de Portugal.
A presença simultânea desses itens mostra que a alimentação nas minas dependia tanto da produção local quanto de insumos introduzidos e de importações, refletindo a diversidade e os fluxos comerciais típicos das regiões mineradoras do início do século XVIII.
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