Questão FC480240
A política exterior inaugurada por Jânio Quadros — diferentemente da Organização Pan-Americana (OPA) de Juscelino Kubitschek (JK), que priorizava o contexto hemisférico — partia de
Política Externa
CEBRASPE (CESPE) · 2018
A política exterior inaugurada por Jânio Quadros — diferentemente da Organização Pan-Americana (OPA) de Juscelino Kubitschek (JK), que priorizava o contexto hemisférico — partia de uma visão universal, embora sem descuidar do regional; possuía um caráter pragmatista, pois buscava os interesses do país sem preconceitos ideológicos; e, para melhor consecução desses objetivos, adotava postura independente frente a outras nações que tinham relacionamento preferencial com o Brasil. A Política Externa Independente (PEI), calcada no nacionalismo, não só ampliou a política de JK em termos de geografia, como também enfatizou as relações Norte-Sul.
Amado Luiz Cervo e Clodoaldo Bueno. História da política exterior do Brasil. Brasília: Universidade de Brasília, 2002, p. 310 (com adaptações).
Tendo o fragmento de texto precedente como referência inicial, julgue o item subsequente, acerca da inserção internacional do Brasil no ideologicamente polarizado contexto histórico da primeira metade dos anos 60 do século passado.
As relações internacionais do Brasil e o tema da reforma agrária emolduraram o conturbado clima de acirramento ideológico que caracterizou o governo Goulart, tendo sido de significativa importância para a ruptura institucional ocorrida em 1964, com a deposição do presidente e a ascensão do regime militar.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Política Externa Independente de Jango aprofundou a linha iniciada por Jânio ao aproximar-se de países do bloco socialista e ao valorizar relações Sul-Norte, o que, em contexto de Guerra Fria, foi interpretado por setores conservadores e pelos EUA como inclinação esquerdista. A condecoração de Che Guevara e declarações de apoio a Cuba acentuaram essa percepção.
Reforma agrária e as demais reformas de base ameaçavam interesses do latifúndio, do empresariado e de parcelas do Congresso e das Forças Armadas. Medidas de intervenção estatal e restrições a remessas de lucro pioraram a confiança econômica e ampliaram o clima de crise.
Essa combinação de política externa polêmica, propostas internas de ruptura social e instabilidade econômica elevou a polarização ideológica, formando a base social e política que justificou a ruptura de 1964.
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