Questão FC482471
A crise internacional do capitalismo, ainda em curso, provocada pela irresponsabilidade do sistema financeiro norte-americano, submergiu a economia internacional e, como desastre,
Políticas Públicas e Programas Governamentais
FCC · 2018
A crise internacional do capitalismo, ainda em curso, provocada pela irresponsabilidade do sistema financeiro norte-americano, submergiu a economia internacional e, como desastre, representa o segundo grande marco da vitória histórica dos sistemas de interesse. O primeiro, a Queda do Muro de Berlim, ruiu como monumento às avessas, celebrando o fracasso da ousada tentativa de construir uma sociedade assentada sobre a solidariedade. Sem inovações institucionais [...] a futura nova sociedade serviu-se do abastardamento das instituições políticas predominantes nas democracias capitalistas, partidos e eleições, para ao final desvirtuar-se economicamente na contrafação do mercado negro, e politicamente na centralização e corrupção burocráticas. [...] Antes, na sequela da crise mundial de 1929, também originada nos Estados Unidos, deu-se o início de políticas sociais mais sistemáticas e consistentes, lá e na Europa. [...] O desastre iniciado em 2007, ao contrário, ocasionou o desmanche mundial da rede de proteção construída no último meio século. O medo do socialismo [...] havia desaparecido. [...] O socialismo não se manteve como opção realista ao capitalismo contemporâneo, e o mundo presencia, pela primeira vez a sério, um capitalismo sem competidores.
(Adaptado de: SANTOS, Wanderley Guilherme dos. A democracia impedida: o Brasil no século XXI, Rio de Janeiro: FGV Editora, 2017, pp 129-130)
Nesse texto, é caracterizada uma análise
- do Estado sob o capitalismo.
- da crise do Estado de bem-estar social.
- do Estado contemporâneo.
- dos limites do Estado de Direito.
- da sociedade e do Estado no século XXI.
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Gabarito
B
Comentário do professor
O texto descreve o colapso da chamada rede de proteção social após a crise de 2007, caracterizando a perda das políticas públicas que vinham garantindo bem‑estar e segurança social — trata‑se, portanto, da crise do Estado de Bem‑Estar Social (Welfare State).
Esse modelo pressupõe intervenção estatal para assegurar direitos sociais (saúde, educação, previdência) — direitos “positivos” que exigem ações públicas. A passagem indica o desmantelamento dessas garantias e a reversão das políticas implementadas no pós‑1929.
A análise aponta que a crise financeira contemporânea provocou o desmanche global dessas proteções, configurando uma crise estrutural do próprio Estado de Bem‑Estar Social.
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