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Questão FC482499

[...] Partindo-se do pressuposto de que, nos sistemas de separação de poderes, processos de negociação entre Executivo e Legislativo são o modus operandi do exercício de governar [

Políticas Públicas e Programas Governamentais

FCC · 2024

[...] Partindo-se do pressuposto de que, nos sistemas de separação de poderes, processos de negociação entre Executivo e Legislativo são o modus operandi do exercício de governar [...] a possibilidade do uso de ações estratégicas e de determinados instrumentos para a formação da legislação não devem ser desconsiderados. Objetivos e estratégias conjugam-se. 

 

Adaptado de: DINIZ, Simone. Interações entre os poderes Executivo a Legislativo no processo decisório: avaliando sucesso & fracasso presidencial. DADOS — Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, v. 48, n. 1, pp. 333 a 368, 2005) 

 

Nos anos mais recentes no Brasil, a relação entre os poderes Executivo e Legislativo no processo de políticas públicas caracteriza- se pela 

  1. dificuldade do poder Executivo em aprovar seus projetos de lei devido à inexistência de qualquer instrumento legislativo no rol de suas atribuições constitucionais.
  2. rigidez da agenda governamental, que, uma vez definida e detalhada, impede uma negociação mais flexível junto ao Legislativo, pois não é franqueada a este a possibilidade de sua modificação.
  3. influência pessoal de quem ocupa a presidência, que, com a condição de que detenha eximia capacidade de persuasão, pode aprovar com maior facilidade os projetos de seu interesse.
  4. relação de conflito exacerbado, caracterizado por um jogo de perde e ganha, em que as posições inflexíveis de ambas as partes inviabilizam a solução dos problemas por meio da renovação da legislação.
  5. complexidade crescente do sistema político, que se traduz na criação de mecanismos que garantem uma constante interação entre os poderes tanto em situações de conflito quanto de cooperação.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa E está correta porque descreve a evolução das relações Executivo–Legislativo no Brasil como produto de um Presidencialismo de Coalizão, marcado pela necessidade de acordos permanentes para viabilizar a governabilidade.

Num Congresso altamente fragmentado, a fragmentação partidária impede que o Executivo governe sem articulação, exigindo negociação contínua para aprovar políticas públicas e leis.

Assim surgem mecanismos formais e informais — distribuição de cargos, emendas parlamentares, pactos e articulações políticas — que institucionalizam a interlocução entre os poderes.

Essa arquitetura promove uma interação constante, alternando cooperação e conflito conforme as pautas e interesses, e confirma a crescente complexidade do sistema político.

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