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Questão FC514098

O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fos

Sintaxe

CEBRASPE (CESPE) · 2025

O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.

 

Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.

 

Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

 

Julgue o item seguinte, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

 

No último período do texto, o termo “castigo” é o núcleo do sujeito da oração expressa pela forma verbal “deve suceder”.

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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação é certa porque, na oração, o termo “à expiação que tripudia sobre o corpo” aparece com crase, indicando preposição; logo, não pode ser sujeito. O verbo suceder, no sentido de “ser sucessor de”, exige a preposição a e é, portanto, transitivo indireto: sucede a algo. Assim, “à expiação…” funciona como objeto indireto do verbo.

Para identificar o sujeito, pergunta-se ao verbo: “O que é que deve suceder à expiação...?” A resposta é “um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições”. Esse sintagma é o sujeito da oração, cujo núcleo é o substantivo castigo. A oração relativa “que atue...” apenas caracteriza esse núcleo.

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