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Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta qu

Morfologia

FCC · 2025

Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós

 

Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O “risco existencial” para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.

 

Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos “os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie — nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria — serem afogados no espelho da IA”. Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.

 

Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.

 

Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro — até agora. “Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral”, prega a autora, “porque a IA representa uma forte tentação de esquecê-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejará sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?”

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025.)

 

É inteiramente adequada a articulação entre os tempos e os modos das formas verbais na frase:

  1. Caso não aprofundemos a vigilância sobre os efeitos nefastos da IA, estaremos submetidos às deformações que provierem de seu uso indiscriminado.
  2. Se não aprofundarmos a vigilância sobre os abusos da IA, estaríamos nos submetendo aos danos que houvessem ocorrido com seu uso cego.
  3. Mesmo que quiséssemos reparar os prejuízos que haverão de decorrer do uso cego da IA, possivelmente já fora tarde demais.
  4. Os prejuízos morais que trouxerem os recursos da IA são de tal monta que poderia ter sido tarde demais para as providências corretivas.
  5. Uma vez que estivéssemos convencidos das possíveis deformações da IA, nos empenharemos em fazer dela um engenho que nos é útil.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Caso não aprofundemos a vigilância sobre os efeitos nefastos da IA, estaremos submetidos às deformações que provierem de seu uso indiscriminado.

Nesta frase, a correção decorre da correlação temporal entre as orações. O termo Caso introduz uma condição hipotética e exige o uso do presente do subjuntivo (aprofundemos) para falar de hipótese futura.

A oração principal expressa o resultado projetado no futuro, por isso aparece no futuro do presente do indicativo (estaremos), compatível com a condição anterior.

A oração subordinada relativa que indica origem das deformações usa o futuro do subjuntivo (provierem) porque se refere a eventos que poderão ocorrer depois, mantendo a coerência temporal com a ideia de futuro.

Assim, a sequência presente do subjuntivo + futuro do presente + futuro do subjuntivo garante harmonia e clareza na expressão da condição e de suas consequências futuras.

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