FC ConcursosFC Concursos

Questão FC544728

Texto 2A1-I Nunca gostei do excesso de realidade presente na boca dos arautos que falam sobre o Rio, seja em mesa de bar, entrevista de canal a cabo ou seminário de universitárias

Morfologia

CEBRASPE (CESPE) · 2025

Texto 2A1-I

 

Nunca gostei do excesso de realidade presente na boca dos arautos que falam sobre o Rio, seja em mesa de bar, entrevista de canal a cabo ou seminário de universitárias charmosas. Na cidade, eu procuro a ficção.

 

Não se trata de inventar histórias, nem de negar-se ao mundo, aos objetos e às relações formativas desta civilização carioca. Trata-se de fruir, de buscar ao longo do dia o direito a esse instante. Ele é possível até mesmo sob o sol a pino, quando você é um camelô e arruma fileiras amarelas e vermelhas de bombons Serenata de Amor sobre a lona de plástico azul na calçada, imitando a vitrine da loja de roupa de grife atrás.

 

Neste momento, você deve negar-se a qualquer entendimento sociológico da vida deste rapaz que produza compaixão, pois logo em seguida ele vai oferecer três bombons por um real com uma voz anasalada, num pregão que lembra o negro que vendia cocada em Dom Casmurro. Ele sabe que a forma de executar o pregão é decisiva para que você compre ou não o bombom. Mesmo sem ter lido Machado, ele já se apropriou das estratégias de ficção.

 

Quando comecei a perceber que essa estratégia do camelô funcionava, decidi treinar estratégias de ficção com as pessoas com as quais convivia. Gosto de ver a reação desse carioca diante de quem faz uso de estratégias ficcionais. Não resisto a uma roda na rua, principalmente as do Largo da Carioca. Paro sempre para ver o tipo que ameaça pular no aro de bicicleta com facas espetadas para a plateia de office-boys e transeuntes diversos. Ele nunca pula, mas seus gestos e o seu tom de voz são decisivos no atraso de documentos de escritórios no centro da cidade.

 

Não é fácil negar-se ao excesso de realidade. É preciso treinamento. Gosto de treinar no carnaval. Gosto de ir a Oswaldo Cruz. Ligo minha câmera e fico sentado no meio-fio esperando a performática saída de quase cem bate-bolas de um pequeno portão de chapa de aço. Eles desfilam cores, bexigadas furiosas no chão e sons incompreensíveis. Melhor mesmo é estar dentro desse grupo, usando uma dessas fantasias e participando dessa saída explosiva. De dentro da máscara, nada ao redor é realidade. Você escolhe como contar.

 

Marcus Vinícius Faustini. Guia afetivo da periferia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009 (com adaptações).

 

No texto 2A1-I, pertencem à mesma classe de palavras os vocábulos

  1. “grife” (em verde) e “compre” (em azul).
  2. “presente” (em roxo) e “carioca” (em laranja).
  3. “anasalada” (em vermelho) e “cocada” (em rosa).
  4. “plástico” (em verde) e “sociológico” (em azul).
  5. “ameaça” (em roxo) e “atraso” (em laranja).
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

B

Comentário do professor

Resposta: ambas as palavras são adjetivos.

No trecho "Nunca gostei do excesso de realidade presente na boca", o vocábulo presente qualifica o substantivo excesso, atribuindo-lhe uma característica; nessa função, atua como adjetivo, posposto ao substantivo.

Em "relações formativas desta civilização carioca", carioca também caracteriza o substantivo civilização, identificando sua origem/característica e concordando em gênero e número com ele. Essa concordância reafirma sua função adjetiva.

Em síntese, ambos os vocábulos desempenham a mesma função sintática: qualificam substantivos, portanto pertencem à mesma classe gramatical, o adjetivo.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo