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Questão FC544932

Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta qu

Concordância (Verbal e Nominal)

FCC · 2025

Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós

 

Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O “risco existencial” para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.

 

Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos “os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie — nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria — serem afogados no espelho da IA”. Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.

 

Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.

 

Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro — até agora. “Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral”, prega a autora, “porque a IA representa uma forte tentação de esquecê-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejará sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?”

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025.)

 

As normas de concordância verbal encontram-se plenamente respeitadas na frase:

  1. Os riscos que ameaçam a quem recorram aos meios da IA são iminentes, caso não se lancem mão de medidas restritivas.
  2. Entre os danos que podem implicar o uso indiscriminado dos meios da IA, enumera-se os que nos destituem da condição de sujeitos.
  3. Enfatizam-se nos recentes estudos da filósofa americana sobre a IA seu alerta sobre o risco da despersonalização de quem abusem de seus usos.
  4. Não cabem aos simples usuários da IA tomar medidas preventivas contra os riscos a que se submete por falta de maiores informações.
  5. Não derivam do uso mesmo da IA os presumíveis prejuízos éticos, mas do enamoramento nosso pelas vantagens míticas de seu desempenho.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Na oração Não derivam do uso mesmo da IA os presumíveis prejuízos éticos, mas do enamoramento nosso pelas vantagens míticas de seu desempenho, a concordância verbal está correta porque o verbo derivam concorda com o sujeito posposto os presumíveis prejuízos éticos. Colocando em ordem direta: Os presumíveis prejuízos éticos não derivam do uso mesmo da IA.

Trata‑se de uma inversão do sujeito; o verbo deve obrigatoriamente permanecer na terceira pessoa do plural para concordar com o núcleo do sujeito, prejuízos. O segmento introdutório do uso mesmo da IA é complemento circunstancial e não altera a flexão verbal.

O termo enamoramento nosso é parte do segundo termo da oposição introduzida por mas e não requer alteração verbal. Regra prática: identifique o sujeito (mesmo quando posposto) e flexione o verbo conforme seu núcleo.

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