Questão FC545070
Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta qu
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2025
Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós
Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O “risco existencial” para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.
Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos “os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie — nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria — serem afogados no espelho da IA”. Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.
Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.
Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro — até agora. “Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral”, prega a autora, “porque a IA representa uma forte tentação de esquecê-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejará sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?”
(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025.)
A afirmação A seta sempre apontou para o futuro (4º parágrafo) está considerando o fato de que
- a marcha da civilização sempre se fez como aperfeiçoamento da espécie humana, não conhecendo retrocessos.
- a tendência histórica e moral da tecnologia é visar a um futuro melhor, ameaçada agora pelas tentações da IA.
- a IA tem-se voltado exclusivamente para os tempos vindouros, abandonando preciosas conquistas do nosso passado.
- o endeusamento narcísico que acomete o homem moderno projeta um futuro pouco auspicioso para a ciência.
- a obsessão pelo futuro incontornável da IA leva o homem a negligenciar seus próprios fundamentos éticos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
"A seta sempre apontou para o futuro" indica que, historicamente, a tecnologia não apenas resolve problemas práticos, mas também impulsiona renovação moral e social. A autora sustenta que as inovações levaram a novos valores e a formas de viver voltadas para o porvir.
Assim, a frase destaca a tendência histórica de projetar melhorias e aprendizagens adiante, com a tecnologia como motor de progresso e reavaliação ética.
No texto, porém, essa dinâmica estaria ameaçada pela inteligência artificial, que pode oferecer um reflexo estático do passado e induzir à terceirização de decisões essenciais, comprometendo a capacidade humana de criar, julgar e imaginar alternativas para o futuro.
Portanto, a alternativa B resume corretamente a ideia de que a inclinação tradicional da tecnologia ao futuro está em risco diante das tentações impostas pela IA.
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