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Questão FC545071

Buscas de sentido Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra,

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Buscas de sentido

 

Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra, desse conosco e voltasse para seu planeta intrigado com essa gente que existe para interrogar ou mesmo negar o sentido de sua existência. “Existirmos, a que será que se destina?” — interrogou Caetano Veloso numa canção sua.

 

Podemos especular que seriam três os principais caminhos tomados pelo homem na busca de resposta para essa pergunta fundamental: o do pensamento racional, o da crença religiosa e o da representação artística. No primeiro entroncam-se a ciência e a filosofia, como modos de investigar e agir sobre a realidade cognoscível; no segundo, a fé propõe bases e dogmas para se crer que o sentido de tudo opera num plano divino, a ser cultuado; no terceiro, o homem se faz ele mesmo criador de sentidos, que figura por meios simbólicos.

 

Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos. Há em cada um de nós mudanças de rotas, mistura de passos, misto de linguagens diversas. Ninguém duvida de que somos criaturas complexas. Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal. A ciência sabe que sua objetividade tem limites, além dos quais não pode se arriscar para perder o que já ganhou. Se a religião se dá como verdade atingida e completa, a teologia e os místicos não desprezam o valor da dúvida humana, que ajuda na sedimentação da perfeição divina. E a arte, tantas vezes, encontra um prazer maior em figurar o sentido por meio de instrumentos negativos, como a ironia, o humor, a reflexão desencantada.

 

Machado de Assis se diverte com o plano raso das criaturas que vivem de “achar o achado”, de se contentar com o lugar-comum. Mas o irônico humor machadiano tem um fundo sério, talvez trágico: o grande escritor se reconhece ele mesmo longe de qualquer verdade absoluta, e relativiza os valores humanos, mostrando sua falibilidade essencial.

 

“A que será que se destina?” Na canção popular, na tragédia clássica, nos laboratórios da ciência, nos templos, nos teatros, nos romances e nas telas, essa pergunta se impõe, mesmo quando simula alguma resposta. A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado.

 

(Cláudio Thales de Araújo, a editar)

 

Em nosso caminho da busca de sentido da nossa própria vida,

  1. a resposta definitiva, é dada pela conjunção dos três principais caminhos tomados pelo homem, tal como indicado no 2º parágrafo.
  2. as referências a Drummond e a Caetano Veloso, no 1º parágrafo, constituem indicações positivas quanto ao rumo tomado.
  3. o antagonismo incontornável dos caminhos clássicos tomados pela humanidade atestam a complexidade do nosso gênio inquieto.
  4. Machado de Assis encontrou na ironia dos chavões um instrumento cortante para sugerir que o termo da busca já está dado.
  5. as respostas já intentadas na progressão civilizatória simulam afirmar-se como cabíveis, mas não suprimem nossa inquietação essencial.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa E expressa com precisão a ideia central do texto: as soluções produzidas ao longo da progressão civilizatória aparentam ser adequadas, mas não encerram a questão sobre o sentido da vida.

O autor enumera ciência, religião e arte como caminhos possíveis e afirma que nenhum deles oferece uma resposta cabal. Essa limitação torna as respostas provisórias, mesmo quando parecem convincentes.

A menção a autores como Machado e ao caráter misto das posturas humanas reforça a noção de que a busca persiste; há relativização dos valores e reconhecimento da falibilidade humana.

Portanto, a alternativa está correta porque destaca que as respostas simulam ser cabíveis, mas não suprimem nossa inquietação essencial.

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