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Questão FC545076

Sobre a brevidade da vida A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2025

Sobre a brevidade da vida

 

A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz que, por consequência, e à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos ainda em meio aos preparativos para bem vivê-la.

 

Vejam: não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta desse mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas inconformadas também de homens ilustres e pessoas de excelente formação. Anote-se, por exemplo, o protesto de Hipócrates, o maior dos médicos, quando diz “A vida é breve, longa, a arte”.

 

Pela mesma razão nasce o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “Aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida que muitos deles sobreviveram por cinco ou dez gerações da nossa espécie; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um tempo exíguo.”

 

Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no culto do supérfluo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de positivo, somos constrangidos pela fatalidade do tempo, e sentimos que ela passou sem que tivéssemos percebido.

 

O fato é este: não recebemos uma vida breve, mas assim a fazemos, nem somos dela carentes, seus esbanjadores. Tal como se dissipam rapidamente os abundantes recursos que caem nas mãos de um gastador, assim também nossa vida se perde, quando do tempo dela não sabemos dispor.

 

(Adaptado de: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Trad. William Li. São Paulo: Nova Alexandria, p. 25-26)

 

A compreensão global do texto se dá a partir da identificação do argumento central de cada parágrafo. Nesse sentido, é correto assinalar que,

  1. no 4º parágrafo, reconhece-se que a suficiência do tempo que se tem para viver ocorre quando se evita o supérfluo na vida.
  2. no 5º parágrafo, estabelece-se uma contraposição entre os esbanjadores de recursos e os que se dizem carentes de um maior tempo para viver.
  3. no 1º parágrafo, a malevolência da Natureza se dá pela má distribuição do tempo de vida reservada a cada um dos mortais.
  4. no 2º parágrafo, o protesto de Hipócrates representa uma convicção contrária àquela de que compartilham alguns homens ilustres.
  5. no 3º parágrafo, o litígio que Aristóteles teve com a natureza deriva do privilégio que foi concedido aos homens de vida longa.
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Gabarito

A

Comentário do professor

O 4º parágrafo sustenta que a questão não é a breviedade objetiva da vida, mas o modo como a usamos.

O autor afirma: "A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem." Esse trecho expressa a ideia central de que o tempo chega a ser suficiente quando não é desperdiçado.

Logo em seguida, ele explica a contrapartida: ao entregar-se ao culto do supérfluo e à indiferença, a pessoa sente que o tempo lhe falta. Assim, a suficiência do tempo depende do uso produtivo da vida, não de sua duração natural.

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