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Questão FC545139

Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta qu

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2025

Perigo da Inteligência Artificial (IA) não vem dos robôs, mas de nós

 

Em seu livro mais recente, “The AI Mirror” (“O espelho da IA”), a filósofa americana Shannon Vallor sustenta que o perigo oferecido pela inteligência artificial é muito diferente do que se costuma imaginar. O “risco existencial” para nossa espécie não viria da progressiva substituição de gente por máquinas, geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção. O perigo estaria em nós mesmos, em nosso enamoramento pela imagem que a IA reflete, como o de Narciso em seu lago.

 

Especialista em ética da tecnologia, a autora acredita que, se não abrirmos o olho, veremos “os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie — nossa capacidade de pensamento criativo, ambição moral, imaginação política e, acima de tudo, sabedoria — serem afogados no espelho da IA”. Afogados porque rendidos, entregues de graça ou em troca de miçangas coloridas. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos que se baseiam no que decidimos no passado para decidir em nosso nome no futuro. Decidir tudo: escolher gente para vagas de emprego, prender gente com base em reconhecimento facial, dosar fluxos de socorro humanitário para populações flageladas, resumir um grosso relatório em meia página.

 

Mas qual seria o problema disso tudo, ferramentas que podem ser tão úteis na solução de problemas? Segundo a autora, o risco é nada menos que a estagnação da espécie. Junto com o poder de decidir, estamos abrindo mão do domínio dos próprios meios para a tomada de decisões: escrever, fazer contas, projetar, raciocinar, escolher.

 

Todas as tecnologias sempre desafiaram moralmente os seres humanos, levando-os a conceber novos valores e formas de viver em sociedade. A seta sempre apontou para o futuro — até agora. “Precisamos abraçar, renovar e aprofundar esse aprendizado moral”, prega a autora, “porque a IA representa uma forte tentação de esquecê-lo, aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático daquilo que um dia soubemos a nosso respeito. Estamos diante de crises planetárias e civilizacionais que a humanidade nunca enfrentou antes. Você planejará sua escalada de uma montanha perigosa e desconhecida olhando pelo espelho, para aquilo que ficou para trás?”

 

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S.Paulo. 02/04/2025.)

 

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

  1. geradora de desemprego e, no limite, de nossa extinção (1º parágrafo) = operadora de vacância e, limitadamente, da nossa absorção.
  2. os poderes e virtudes mais vigorosos da espécie (2º parágrafo) = as pujanças virtuais da condição humana.
  3. Terceirizados, por narcisismo e preguiça, a algoritmos (2º parágrafo) = transpostos por fórmulas de orgulho e desleixo.
  4. o risco é nada menos que a estagnação da espécie (3º parágrafo) = a ameaça é precisamente o embotamento do gênero humano.
  5. aceitando em seu lugar um reflexo pálido e estático (4º parágrafo) = substituindo-o por uma impressão vacilante e acomodada.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Risco equivale a ameaça, e a expressão "nada menos que" intensifica a equivalência: não é uma consequência secundária, é exatamente isso que está em jogo.

Estagnação remete a paralisação do progresso e ao empobrecimento de capacidades; traduzir por embotamento capta bem a ideia metafórica de perda de acuidade intelectual, criativa e moral.

Espécie refere-se ao conjunto humano. Substituir por gênero humano

Assim, "a ameaça é precisamente o embotamento do gênero humano" preserva a força expressiva do texto: apresenta a IA como perigo que anestesia competências humanas centrais, em vez de apenas causar efeitos técnicos ou econômicos.

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