Questão FC545143
Buscas de sentido Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra,
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2025
Buscas de sentido
Se há algo que nos define como espécie é a busca de sentido da nossa própria vida. O poeta Carlos Drummond de Andrade imaginou um marciano que visitasse a Terra, desse conosco e voltasse para seu planeta intrigado com essa gente que existe para interrogar ou mesmo negar o sentido de sua existência. “Existirmos, a que será que se destina?” — interrogou Caetano Veloso numa canção sua.
Podemos especular que seriam três os principais caminhos tomados pelo homem na busca de resposta para essa pergunta fundamental: o do pensamento racional, o da crença religiosa e o da representação artística. No primeiro entroncam-se a ciência e a filosofia, como modos de investigar e agir sobre a realidade cognoscível; no segundo, a fé propõe bases e dogmas para se crer que o sentido de tudo opera num plano divino, a ser cultuado; no terceiro, o homem se faz ele mesmo criador de sentidos, que figura por meios simbólicos.
Ainda que diferentes, tais caminhos não precisam ser antagônicos. Há em cada um de nós mudanças de rotas, mistura de passos, misto de linguagens diversas. Ninguém duvida de que somos criaturas complexas. Nenhum desses recursos em que investimos para explicar o sentido da nossa vida tem uma resposta cabal. A ciência sabe que sua objetividade tem limites, além dos quais não pode se arriscar para perder o que já ganhou. Se a religião se dá como verdade atingida e completa, a teologia e os místicos não desprezam o valor da dúvida humana, que ajuda na sedimentação da perfeição divina. E a arte, tantas vezes, encontra um prazer maior em figurar o sentido por meio de instrumentos negativos, como a ironia, o humor, a reflexão desencantada.
Machado de Assis se diverte com o plano raso das criaturas que vivem de “achar o achado”, de se contentar com o lugar-comum. Mas o irônico humor machadiano tem um fundo sério, talvez trágico: o grande escritor se reconhece ele mesmo longe de qualquer verdade absoluta, e relativiza os valores humanos, mostrando sua falibilidade essencial.
“A que será que se destina?” Na canção popular, na tragédia clássica, nos laboratórios da ciência, nos templos, nos teatros, nos romances e nas telas, essa pergunta se impõe, mesmo quando simula alguma resposta. A cada passo que damos na chamada progressão civilizatória, a busca de sentido se refaz no subterrâneo do espaço avançado.
(Cláudio Thales de Araújo, a editar)
A frase Existirmos, a que será que se destina? terá tradução adequada e permanecerá gramaticalmente correta nesta outra redação:
- De qual destino haverá em existirmos?
- A fim de qual destino será existirmos?
- Qual destino haverá em existirmos?
- A qual destino teremos em existir?
- Com qual destino teremos ao existir?
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Qual destino haverá em existirmos? preserva com fidelidade a ideia do enunciado original e é gramaticalmente adequada. A construção mantém a força interrogativa sobre a finalidade da existência, em linguagem culta e clara.
Analiticamente, Qual destino retoma semanticamente a que se destina, funcionando como sujeito da oração. O verbo haverá assume valor existencial/predicativo equivalente a existirá, e a locução em existirmos indica o âmbito em que esse destino se coloca, ou seja, relativo à nossa existência. Essa organização sintática é correta e preserva o sentido original do texto.
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