Questão FC545146
Sobre a brevidade da vida A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2025
Sobre a brevidade da vida
A maior parte dos mortais queixa-se da malevolência da Natureza, porque estamos destinados a um breve momento da eternidade, e, segundo eles, o espaço de tempo que nos foi dado corre tão veloz que, por consequência, e à exceção de muito poucos, a vida abandonaria a todos ainda em meio aos preparativos para bem vivê-la.
Vejam: não é somente a multidão e a turba insensata que se lamenta desse mal considerado universal: a mesma impressão provocou queixas inconformadas também de homens ilustres e pessoas de excelente formação. Anote-se, por exemplo, o protesto de Hipócrates, o maior dos médicos, quando diz “A vida é breve, longa, a arte”.
Pela mesma razão nasce o litígio (de nenhuma forma apropriado a um homem sábio) que Aristóteles teve com a Natureza: “Aos animais, ela concedeu tanto tempo de vida que muitos deles sobreviveram por cinco ou dez gerações da nossa espécie; ao homem, nascido para tantos e tão grandes feitos, está estabelecido um tempo exíguo.”
Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos. A vida é suficientemente longa, e com generosidade nos foi dada para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas quando ela se esvai no culto do supérfluo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de positivo, somos constrangidos pela fatalidade do tempo, e sentimos que ela passou sem que tivéssemos percebido.
O fato é este: não recebemos uma vida breve, mas assim a fazemos, nem somos dela carentes, seus esbanjadores. Tal como se dissipam rapidamente os abundantes recursos que caem nas mãos de um gastador, assim também nossa vida se perde, quando do tempo dela não sabemos dispor.
(Adaptado de: SÊNECA. Sobre a brevidade da vida. Trad. William Li. São Paulo: Nova Alexandria, p. 25-26)
Não, não é curto o tempo que temos, mas dele muito perdemos.
A frase acima permanecerá correta e coerente caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por
- em que havemos — lhe dispensamos muito
- com que detemos — lhe fazemos mau uso
- de que dispomos — gastamo-lo perdulariamente
- com cujo contamos — lhe dissipamos demais
- pelo qual carecemos — é aonde o extraviamos
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Na alternativa escolhida, a expressão de que dispomos é adequada porque o verbo dispor exige a preposição de quando indica posse ou disponibilidade; o relativo que retoma o tempo do antecedente, formando a oração relativa de que dispomos.
Em seguida, gastamo-lo perdulariamente mantém a coerência semântica e a correção sintática. O verbo gastar é transitivo direto, logo o pronome oblíquo átono lo (forma de o) funciona como objeto direto e retoma o tempo. A combinação com o advérbio perdulariamente qualifica a ação como desperdício. Assim, a reescrita preserva sentido e regência: "Não é curto o tempo de que dispomos, mas gastamo-lo perdulariamente."
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