Questão FC545292
Leia o texto abaixo para responder a questão seguinte. Texto associado Cientistas descobriram que, mesmo depois de passarem 5 mil anos em um sarcófago, os corpos mumificados do Egi
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INSTITUTO MAIS · 2025
Leia o texto abaixo para responder a questão seguinte.
Cientistas descobriram que, mesmo depois de passarem 5 mil anos em um sarcófago, os corpos mumificados do Egito Antigo ainda apresentam odores bastante agradáveis. Os pesquisadores examinaram nove múmias e concluíram que, embora haja alguma diferença de intensidade dos seus odores, todas puderam ser descritas como de odor "amadeirado", "picante" ou "doce". Eles afirmam que recriar quimicamente a composição dos odores já iria permitir às pessoas ter a experiência de cheirar uma múmia – e ajudar a dizer quando os corpos no seu interior podem começar a se deteriorar. Durante o processo de mumificação, os antigos egípcios envolviam o corpo em odores agradáveis. Esta era uma parte importante da preparação do espírito para entrar na vida após a morte. Por isso, os faraós e membros da nobreza eram adornados com óleos, ceras e bálsamos durante a mumificação.
"Nos livros e filmes, acontecem coisas terríveis com quem cheira corpos mumificados", conta Cecilia Bembibre, uma das pesquisadoras interessadas neste assunto. "Ficamos surpresos ao saber como é agradável". Um estudo acadêmico sobre o tema foi publicado no Journal of the American Chemical Society. Os pesquisadores precisaram obter o odor do lado de dentro do sarcófago, sem interferir com a múmia no seu interior. Para isso, eles inseriram um tubo minúsculo para poder avaliar o aroma sem retirar amostras físicas. Bembibre explicou que os estudiosos do passado sempre tentam encontrar formas "não destrutivas" de encontrar informações novas.
Os visitantes que sentirem os aromas nos museus poderão depois vivenciar o Egito Antigo e o processo de mumificação de uma perspectiva totalmente diferente. A supervisora de literatura inglesa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Ally Louks, escreveu sua tese de PhD sobre a política do cheiro. Ela descreve o experimento como uma forma "muito inovadora" de transmitir a história. "Usar o seu nariz produz forte reação física e emocional", declarou ela à BBC. "Sabemos que os cheiros eram essenciais para as práticas sociais, religiosas e pessoais" no Egito Antigo. O pesquisador Matija Strlič, que também fez parte da equipe de estudos, declarou à agência de notícias Associated Press que os aromas podem até indicar de qual classe social era uma múmia específica. "Acreditamos que esta técnica pode ser de imenso interesse para outros tipos de coleções nos museus", segundo ele.
Além de fornecer aos visitantes uma nova percepção sensorial, a descoberta também apresenta potencial revolucionário para os responsáveis pela conservação das múmias. Os pesquisadores empregaram uma técnica chamada cromatografia gasosa para separar os diferentes odores no interior do sarcófago que, combinados, geravam seu aroma. Eles encontraram odores relacionados à decomposição de gorduras animais utilizadas no processo de embalsamamento, o que talvez indique que o corpo está começando a se decompor. Estas descobertas irão possibilitar "intervenções práticas" para a conservação das múmias, identificando a melhor forma de armazenar e embalar os corpos, segundo o estudo. "Isso é útil para as pessoas que cuidam da conservação desta coleção, pois podemos garantir que ela chegue às gerações futuras", declarou Bembibre.
(Jornal BBC News Brasil, 09.03.2025. Adaptado.)
O texto trata sobre a prática egípcia de perfumar os corpos antes de sepultá-los. Sobre a perfumação dos cadáveres, é correto afirmar que ela
- expressa uma concepção de mundo materialista, haja vista que tal processo busca manter o corpo agradável, negando a possibilidade de transcendência imaterial.
- permite às pessoas terem uma experiência olfativa acerca da história e, consequentemente, uma vivência mais intensa do ponto de vista emocional.
- endossa aquilo que já era apresentado no cinema sobre o assunto, visto que os odores contidos nas múmias despertam uma sensação mórbida e aterrorizante.
- demonstra que a exploração de relíquias e outras formas de grande relevância histórica perdem parte de sua estrutura original, à medida que são expostas a pesquisas científicas.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa está correta porque o texto ressalta que a perfumação permite ao público ter contato sensorial direto com o passado, promovendo uma experiência olfativa capaz de intensificar a compreensão histórica.
Os pesquisadores afirmam que recriar quimicamente esses odores possibilita que visitantes "cheirem" uma múmia sem danificá‑la, e especialistas citadas destacam que o olfato produz reações físicas e emocionais fortes.
Do ponto de vista cognitivo, o olfato está ligado à memória e às emoções, por isso cheiros históricos geram uma vivência emocional mais intensa que a leitura ou a observação visual isolada.
Assim, perfumar os corpos na mumificação não é só prática técnica; culturalmente, fornece aos museus um recurso sensorial para aproximar o público da história de forma mais vívida e afetiva.
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