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Questão FC55164

“Dizem os índios da aldeia da Ibiapaba... que por eles serem muitos, e cada vez se lhes agregam mais tapuias, que já hoje passam de quatrocentos, e por constarem as terras que lhes

História dos Estados

CEV URCA · 2019

“Dizem os índios da aldeia da Ibiapaba... que por eles serem muitos, e cada vez se lhes agregam mais tapuias, que já hoje passam de quatrocentos, e por constarem as terras que lhes foram demarcadas de muitas penedias, e quebradas inúteis, e as poucas que eram capazes de plantas já estarem cansadas, não acham já a onde possam plantar... de que nasce haver na aldeia uma contínua fome, e se não fora a caridade de seus missionários de cem viúvas desamparadas, e muitos meninos órgãos estranhos em serviço dos moradores, morriam de fome: de que como eles suplicantes não têm mantimentos para si, não poder om eles remediar a outros.” (solicitação de Carta de Sesmaria – Documento do Conselho Ultramarino, 12 de out. 1720, APUD PINHEIRO, Francisco José. Mundos em confronto: povos nativos e europeus na disputa pelo território.
IN: SOUZA, Simone (org.).

Uma nova história do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2000, p. 24).

Considerando o texto acima, assinale a alternativa correta sobre o processo inicial de invasão europeia e os conflitos gerados no território hoje denominado de Ceará.
  1. A terra, para os povos indígenas, não era vista como um meio de produção na perspectiva mercantil, ao contrário, deveria ser um espaço da liberdade e de possiblidade de viver sem serem constrangidos pelo branco colonizador;
  2. Os lusos-brasileiros justificavam o uso das terras pelas necessidades coletivas sem preocupação com o lucro, referenciando os pedidos de sesmarias na ancestralidade de presença territorial;
  3. Para os povos indígenas, o que assegurava a posse da terra era ela estar devoluta e torná-la produtiva para a possibilitar lucros à Fazenda Real, na perspectiva mercantil;
  4. Os conquistadores, tanto colonos como missionários, procuravam pelos mais diversos meios se aliar aos povos indígenas, para tanto se submetiam aos modos de vida dos nativos;
  5. Para os povos indígenas, a terra era fundamentalmente um meio de produzir mercadorias; enquanto que, para os europeus, o território era fator de indispensável à sua integridade física e sociocultural;
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Gabarito

A

Comentário do professor

Alternativa correta: A alternativa A está correta porque reflete a visão indígena sobre a terra, que era entendida como um espaço de vida e liberdade, em contraste com a perspectiva europeia que via a terra principalmente como um meio de produção e lucro. Os povos indígenas valorizavam o território como um lugar sagrado e comunitário, onde podiam viver em harmonia e liberdade, sem as imposições dos colonizadores, que frequentemente buscavam explorar economicamente essas terras. Essa visão é corroborada por estudos etnográficos que apontam para a relação dos indígenas com a natureza e a terra de forma holística e não mercantilista.


Alternativas incorretas:

B: A alternativa B está incorreta porque sugere que os lusos-brasileiros justificavam o uso das terras sem preocupação com o lucro, o que não reflete a realidade da colonização, onde a exploração econômica das terras era uma prioridade. Os pedidos de sesmaria, na verdade, visavam à concessão de terras para cultivo e produção, com foco no lucro.


C: A alternativa C é incorreta pois afirma que a posse da terra pelos indígenas dependia de ela estar devoluta e de ser produtiva para a Fazenda Real. Na verdade, os povos indígenas não concebiam a terra dessa forma mercantil, mas como parte de seu modo de vida e cultura.


D: A alternativa D está errada ao sugerir que conquistadores e missionários se submetiam aos modos de vida indígenas. Embora houvesse tentativas de aliança, a relação era marcada por dominação e imposição das culturas europeias, com os colonizadores frequentemente desconsiderando os modos de vida indígenas.


E: A alternativa E é incorreta porque apresenta a ideia de que para os indígenas a terra era um meio de produzir mercadorias, o que não se alinha com a sua visão tradicional que prioriza a conexão espiritual e comunitária com a terra, enquanto os europeus, de fato, viam a terra como um recurso econômico essencial para a sua sobrevivência e expansão territorial.

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