Questão FC561498
“Na noite do terceiro dia avistamos as rancharias do gentio e seus fogos: emboscamo-nos no mato para lhe darmos na madrugada; mas sendo sentidos dos cachorros, que tinham muitos e
História do Brasil
UEG · 2013
“Na noite do terceiro dia avistamos as rancharias do gentio e seus fogos: emboscamo-nos no mato para lhe darmos na madrugada; mas sendo sentidos dos cachorros, que tinham muitos e bons, quando avançamos, nos receberam com seus arcos e flechas. Não demos um só tiro por ordem do cabo, do que resultou fugir-nos quase todo o gentio, o investir um deles ao sobrinho do cabo com tal ânimo, que lançando-lhe a mão à rédea do cavalo, tomou-lhe a espingarda da mão e da cinta o traçado, e dando-lhe com ela um famoso golpe em um dos ombros e outro no braço esquerdo fugiu levando-lhe consigo as armas. [...] É para admirar que em todo este conflito não fizesse mais ação o nosso cabo que o andar sempre ao longe e gritando e requerendo-nos que atirássemos só ao vento para não atemorizar o gentio. Foi Deus servido levarmos os ranchos, chovendo sobre nós as flechas e os porretes”.
A bandeira do Anhanguera a Goyaz em 1722, segundo José Peixoto da Silva Braga. In. Memórias Goianas I. Goiânia: Editora da UCG, 1982. p. 15.
O texto é um relato do alferes Silva e Braga, que acompanhou a Bandeira do Anhanguera, no ano de 1722. Como uma fonte histórica sobre o conflito entre bandeirantes e indígenas no século XVIII, a interpretação do relato indica que
- o uso dos cães domesticados por parte dos indígenas avistados pelos bandeirantes era uma prática exótica à sua cultura nativa.
- os indígenas foram derrotados pelos bandeirantes porque ficaram aterrorizados pelo cavalo e pelas armas de fogo.
- os bandeirantes desconheciam os costumes indígenas e procuravam utilizar apenas a força militar para subjugá-los.
- o termo “gentio” denominava os indígenas que pertenciam a um aldeamento construído pelos jesuítas em Goiás.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O relato destaca explicitamente os cachorros dos indígenas: “sendo sentidos dos cachorros, que tinham muitos e bons…”. Essa menção revela que o autor percebeu a presença e o uso de cães como algo notável e fora do comum para sua referência cultural, daí a leitura de prática exótica.
Essa impressão evidencia o olhar etnocêntrico do bandeirante: ele comenta a surpresa pela domesticação e emprego dos animais na guerra e na defesa, sinalizando diferença cultural entre europeus e indígenas.
Como fonte, o trecho confirma a existência e utilidade dos cães entre grupos nativos e mostra como essa prática chamou atenção dos invasores, devendo ser interpretada criticamente por ser uma percepção do colonizador.
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