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Questão FC566166

Leia o texto a seguir. Talvez vocês já tenham tido oportunidade de escutar pessoas se lastimarem da degeneração de nossas raças europeias. Deixem menosprezar estes descontentes, po

História do Brasil

Instituto Verbena · 2022

Leia o texto a seguir.

 

Talvez vocês já tenham tido oportunidade de escutar pessoas se lastimarem da degeneração de nossas raças europeias.

 

Deixem menosprezar estes descontentes, pois, é certo que após uma visita a Mato Grosso eles se regozijariam de pertencer à nossa raça. Imaginem vocês, pessoas de tez uniformemente pálida e doentia, preguiçosas, atingidas por uma espécie de languidez indolente que formarão uma imagem do aspecto físico dos habitantes de Mato Grosso. Não. Esta raça é muito feia.

 

Apesar do pó de arroz e dos fortes perfumes utilizados com frenesi pelas mulheres, elas em nada são comparáveis às nossas companheiras.

 

Fonte: IJS, Ferdinand. Voyage au Matto Grosso. Bulletin de la Société d'études coloniales, n. 8, aout 1901. p. 526. Apud:  TRUBILIANO,

Carlos Alexandre Barros. A cidade em transformação: formação urbana, desenvolvimento e culturas políticas em

Campo Grande (1905-1939). 2014. Tese (Doutorado em História), Universidade Estadual Paulista, 2014, p. 40.

 

O relato do expedicionário belga Ferdinand Nijs, enviado ao Brasil em 1899, expressa uma visão fundamentada na ciência que contribuiu, no contexto do século XIX, para

  1. promover a expansão cristã.
  2. valorizar a diversidade étnica.
  3. defender o sincretismo cultural.
  4. justificar a dominação imperialista.
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Gabarito

D

Comentário do professor

O trecho emprega descrições depreciativas dos habitantes locais para sustentar a ideia de dominação imperialista. Ao hierarquizar raças e valorizar traços europeus, o autor transforma juízos estéticos e morais em supostas provas.

Esse tipo de argumento apoia‑se no racismo científico e no eurocentrismo, que funcionavam como linguagem legitimadora: ao declarar outros povos inferiores, criava‑se pretexto para intervenções, ocupações e exploração sob a justificativa de uma missão civilizadora ou de progresso.

Assim, o relato não é mera observação cultural, mas instrumento ideológico que procura justificar a expansão e o domínio imperialista, apresentando‑os como moralmente aceitáveis e cientificamente fundamentados.

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