Questão FC57370
Com evidências do enorme descolamento entre as taxas de juros de curto e de longo prazo no Brasil, o texto abaixo reproduz matéria jornalística, publicada no início de agosto de 20
Atualidades do Mercado Financeiro
CESGRANRIO · 2021
Os juros futuros encerraram os negócios desta segunda- feira em alta firme, afetados por um movimento de maior incorporação de prêmio de risco ao longo da curva a termo, especialmente nos trechos mais longos (com vencimento no longo prazo). No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 passava de 1,87% no ajuste anterior para 1,88%; a do DI para janeiro de 2022 ia de 2,65% para 2,67%; a do contrato para janeiro de 2023 subia de 3,76% para 3,79%; a do DI para janeiro de 2025 escalava de 5,40% para 5,47%; e a do contrato para janeiro de 2027 saltava de 6,35% para 6,43%.
Para minorar os impactos da crise, a Emenda Constitucional nº 106, de 7 de maio de 2020, conhecida como o “Orçamento de Guerra”, instituiu uma diversidade de medidas nos âmbitos fiscal, financeiro e de contratações para enfrentamento da calamidade pública nacional, decorrente da pandemia da Covid-19. Dentre as medidas aprovadas, o Banco Central do Brasil ficou autorizado, temporariamente, a operar com instrumentos de política monetária considerados não convencionais. A medida de política monetária não convencional, por parte do Banco Central do Brasil, que poderia ter estimulado a redução das taxas de juros de longo prazo no ano passado é a
- redução da taxa de juros básica de curto prazo (Selic)
- venda de títulos públicos e privados no mercado secundário
- compra de títulos públicos e privados no mercado secundário
- redução do percentual dos depósitos compulsórios
- venda de títulos mediante operações compromissadas
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Alternativa correta: A compra de títulos públicos e privados no mercado secundário é uma medida de política monetária não convencional que pode estimular a redução das taxas de juros de longo prazo. Ao adquirir esses títulos, o Banco Central aumenta a liquidez no sistema financeiro, o que tende a baixar a taxa de juros. Essa estratégia é utilizada para incentivar o crédito e estimular a economia, especialmente em momentos de crise, como a pandemia da Covid-19. O respaldo para essa ação está na Emenda Constitucional nº 106, que concedeu ao Banco Central a flexibilidade para agir de forma mais agressiva durante a crise, utilizando instrumentos que não eram convencionais até então.
Alternativas incorretas:
A: A redução da taxa de juros básica de curto prazo (Selic) é uma medida convencional de política monetária, que afeta principalmente as taxas de juros de curto prazo, mas não necessariamente resulta em uma redução das taxas de juros de longo prazo de maneira direta.
B: A venda de títulos públicos e privados no mercado secundário teria o efeito oposto ao desejado. Essa ação retira liquidez do mercado, o que tende a aumentar as taxas de juros, em vez de reduzi-las.
D: A redução do percentual dos depósitos compulsórios é uma medida que pode aumentar a liquidez no sistema financeiro, mas não é considerada uma política monetária não convencional. Além disso, seu impacto direto nas taxas de juros de longo prazo é limitado em comparação com a compra de títulos.
E: A venda de títulos mediante operações compromissadas também resulta em uma retirada de liquidez do mercado, o que pode elevar as taxas de juros, em vez de reduzi-las. Assim, não atende ao objetivo de estimular a economia em um cenário de incerteza.
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