Questão FC590241
O Estado do Maranhão, tal qual a Amazônia, foi e continua sendo alvo de uma série de políticas de ordenação e uso do território as quais iniciaram-se ainda no regime colonial e que
Geografia dos Estados
FCC · 2016
O Estado do Maranhão, tal qual a Amazônia, foi e continua sendo alvo de uma série de políticas de ordenação e uso do território as quais iniciaram-se ainda no regime colonial e que, no transcorrer do século XX principalmente nos Governos militares, intensificaram-se na medida em que foram sendo definidas as respectivas “vocações” territoriais, as quais buscaram articular-se a um projeto nacional de desenvolvimento e tornar a economia competitiva no mercado global.
(ROMÃO et al. Revista Geográfica de América Central Número Especial EGAL, 2011. Costa Rica II. Semestre 2011 pp. 1-16)
Considerando que as intervenções Estatais influem nas novas territorializações e promovem ao mesmo tempo desterritorialização o projeto que articulou uma política nacional à formação territorial do Estado do Maranhão no século XX, foi a
- implantação, no município de Alcântara de um centro de alta tecnologia de lançamento de foguetes que provocou a desterritorialização de comunidades quilombolas e tradicionais.
- implantação do Porto de Itaqui na baía de São Marcos que provocou um forte investimento em melhorias urbanas atraindo setores sociais de alta renda para a região.
- implantação da ferrovia Norte-Sul que promoveu um choque negativo na porosidade territorial e facilitou a relação com o exterior incentivando a exportação de commodities agrícolas.
- expansão das rodovias que levou a região da Baixada Maranhense a falência do modelo agroexportador e confinou essa região ao contato apenas com as localidades mais próximas, configurando um ambiente de marasmo.
- expansão de todas as infraestruturas territoriais, que promoveram somente o setor de exportação não trazendo nenhum benefício social.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A implantação do Centro de Lançamento de Alcântara ilustra como uma política estatal de caráter nacional reconfigura o território local ao priorizar uma vocação estratégica ligada ao desenvolvimento tecnológico e à inserção no mercado global.
Ao ocupar cerca de 52.000 hectares e exigir segurança e infraestrutura, o projeto provocou a desterritorialização de comunidades quilombolas e tradicionais que viviam ali há séculos, rompendo relações com a terra, modos de subsistência e espaços sagrados.
As populações foram deslocadas para agrovilas distantes, o que acarretou perda de autonomia econômica, fragmentação social e dificuldades de reprodução cultural. Esse processo mostra como a territorialização estatal produz simultaneamente inclusão de áreas ao projeto nacional e exclusão de seus ocupantes originais.
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