Questão FC590839
A despeito da carência de recursos, havia um “pensamento ferroviarista” capixaba. Segundo Bittencourt, três linhas mestras norteavam-no: a primeira era uma crença geral de que a in
História do Brasil
Instituto Consulplan · 2023
A despeito da carência de recursos, havia um “pensamento ferroviarista” capixaba. Segundo Bittencourt, três linhas mestras norteavam-no: a primeira era uma crença geral de que a incrementação da vida econômica e material da província dependia da consolidação de sua ligação com Minas Gerais [...] Podemos exemplificá-la nas palavras do presidente Marcelino Tostes, o qual acreditava que: [...] “ligar essa província com a de Minas Geraes, por uma estrada de ferro, é Srs., attrahir a colonisação e a emigração espontaneas para seus uberrimos e incultos terrenos; é facilitar a exportação dos seus productos proporcionando um dos mais bellos portos do império; é estender o seu commercio e desenvolver a sua lavoura; é finalmente constituir a ligação directa com o estrangeiro”.
(Espírito Santo (Província) Presidente, 1880-1881 (Marcelino Assis Tostes), Relatório... 1881, p.38.In.: Quintão, Leandro do Carmo, – 2008. Escrita da época.)
Num contexto mundial da Revolução Industrial em expansão, a estrada de ferro tornou-se um ícone ligado ao desenvolvimento de uma nação de um estado ou província. A construção das primeiras ferrovias, no Brasil, e mais especificamente no caso do Espírito Santo:
- Estabelece uma estreita ligação entre café e ferrovia, pois, ao mesmo tempo em que muitas delas surgiram por causa dessa atividade, a expansão da produção para zonas longínquas se deu condicionada à construção dos trilhos.
- Desenvolveu-se no contexto do Imperialismo Inglês, graças ao capital estrangeiro, distribuído com ênfase nas províncias com maior imigração, o que acabou por privilegiar os estados portuários como Rio de Janeiro e Espírito Santo.
- Deveu-se à necessidade de um transporte de massa (pessoas) de custo baixo e para que o ouro, outros minérios, com extrema representatividade na economia capixaba, atingissem, com preços competitivos, os mercados consumidores.
- Modernizou o transporte, rompendo com a precariedade então existente, e apresentando vantagens econômicas e comerciais, ligando não só as zonas de produção aos portos ou áreas próximas, mas integrando todo o Estado e este com a nação.
- Manteve-se graças à presença exclusiva do Estado à frente do processo de construção da malha ferroviária, o que excluiu por completo a presença de capitais estrangeiros no processo, utilizando o capital recém-acumulado com o fim do tráfico escravo.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa aponta a relação causal entre café e ferrovia no século XIX. A demanda por escoar grandes volumes de grãos para os portos tornou o transporte um fator decisivo para a lucratividade da cultura.
A construção de linhas favoreceu o escoamento do café, reduzindo custos e tempo, o que abriu mercados internacionais e estimulou investimentos nas áreas produtoras.
No Espírito Santo, a ferrovia foi vista como instrumento para integrar zonas agrícolas distantes ao porto de Vitória, permitindo a ocupação e a exploração de terras antes inacessíveis.
Assim, a expansão da produção cafeeira e a implantação de trilhos foram fenômenos interdependentes: o café impulsionou obras ferroviárias e os trilhos condicionaram a expansão geográfica da lavoura.
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