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Questão FC590899

Como a grande mídia tratava acontecimentos, que não se mostraram isolados, como esse?

História do Brasil

CSC IFPA · 2019

No contexto de ocupação da Amazônia e os diversos conflitos advindos desse processo, o professor e pesquisador Pere Petit, em sua obra “Chão de Promessas” (2003) nos traz a seguinte informação: “O pior massacre contra camponeses ocorrido no Brasil nas últimas décadas aconteceu no município de Eldorado do Carajás, no dia 17 de abril de 1996, quando foram assassinados pela Polícia Militar do Pará 19 trabalhadores sem-terra e 50 ficaram feridos. Nos governos de Jose Sarney, Fernando Collor de Mello e Itamar Franco, enquanto se deteriorava o sistema de saúde e a educação pública e a distribuição da renda per capita se mantinha em níveis escandalosos, o Brasil continuou sendo um dos países com pior distribuição de terras privadas no mundo, com mais de 65% da população rural vivendo abaixo da linha de pobreza, tendo uma renda mensal inferior a 25% do salário mínimo.”

Como a grande mídia tratava acontecimentos, que não se mostraram isolados, como esse?

  1. Os conflitos e a violência presentes nas áreas rurais da Amazônia Legal são apresentados como se fossem o custo inevitável da modernização do campo na fronteira agrícola.
  2. A mídia tem um papel central na denúncia e exigência por justiça e reparação em casos como esse citado pelo autor.
  3. Sendo a mídia brasileira concentrada no Sudeste do país, acontecimentos no Norte não mobilizam o interesse desse setor.
  4. A mídia emprega um tom sensacionalista que não ajuda na compreensão da complexidade do problema.
  5. A mídia reforça o estereótipo em torno dos agricultores sem-terra.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa aponta que a grande mídia enquadrava os conflitos agrários como um custo inevitável da expansão agrícola na Amazônia.

Esse enquadramento tende a naturalizar a violência, apresentando mortes e expulsões como consequências necessárias do progresso rural.

Ao fazê-lo, a cobertura reduz a visibilidade das causas estruturais, como a concentração fundiária e a falta de políticas públicas.

Também contribui para desresponsabilizar atores econômicos e agentes estatais, desviando o debate de reformas fundiárias e de justiça.

Na prática, essa narrativa legitima a ocupação violenta da fronteira agrícola e dilui a mobilização social por reparação e mudanças.

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