Questão FC591016
Segundo a historiadora Isabel Guillen ao se caminhar “...pelas ruas do Recife lembramos que a cidade foi palco de mais de trezentos anos de escravidão de populações africanas e seu
História do Brasil
IAUPE · 2018
Segundo a historiadora Isabel Guillen ao se caminhar “...pelas ruas do Recife lembramos que a cidade foi palco de mais de trezentos anos de escravidão de populações africanas e seus descendentes... [Mas], parece que a história da escravidão e da cultura negra, herança da diáspora, permanece invisibilizada na cidade. Qualquer pessoa que transita pela cidade, seja um jovem estudante ou turista, encontrará parcas referências à história da escravidão e da cultura negra na região metropolitana do Recife: o busto de Zumbi na praça do Carmo, a estátua de Solano Lopes no Pátio de São Pedro; Dona Santa na praça defronte à rua Vidal de Negreiros, a Igreja de Nossa Senhora do Rosários dos Homens Pretos, alguns baobás plantados em praças na cidade... E pouco nada mais do que isso.”
(http://www.encontro2018.historiaoral.org.br/resources/anais/8/1524268689_ARQUIVO_Lugaresdememoriadaculturanegraguillen.pdf)
Em relação às manifestações culturais afrodescendentes do Recife, assinale a alternativa CORRETA.
- As práticas religiosas que foram elaboradas e (re)elaboradas pelos africanos escravizados e libertos e pelos seus descendentes ficaram conhecidas pela designação de religiões afro-brasileiras. Em Pernambuco, de uma maneira geral, essas práticas receberam o nome de xangô.
- O maracatu, segundo os historiadores, surgiu na capitania de Pernambuco, ainda no século XVI, como uma forma de dança ritual na qual os homens definiam suas futuras esposas.
- Ao contrário de outras manifestações culturais, o maracatu, graças à atuação da liga carnavalesca e de alguns folcloristas, pôde conservar sua forma de expressão. Assim, os atuais grupos de maracatus são praticamente idênticos aos que existiram ao longo do século XIX.
- A capoeira, apesar de ter surgido na África, teve, no Brasil, uma grande disseminação entre os escravos, que a praticavam como forma de luta. Após seus primeiros registros terem sido feitos na Bahia, chegou ao estado de Pernambuco possivelmente em finais do século XIX.
- As religiões africanas, introduzidas pelos escravos em Pernambuco, tiveram relativa liberdade, o que justifica, em certa medida, a sua existência até os dias de hoje.
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Gabarito
A
Comentário do professor
As práticas religiosas trazidas e reinventadas por africanos escravizados e seus descendentes formaram as religiões afro-brasileiras, resultado de intenso processo de sincretismo entre cosmologias, ritos e músicas de diferentes povos africanos adaptados ao Brasil.
Em Pernambuco esse conjunto de práticas costuma receber, de modo geral, a designação popular de xangô. O termo não se refere a uma única liturgia rígida, mas a uma família regional de cultos e celebrações que reúnem elementos de nações africanas diversas e de adaptações locais, com presença de terreiros, cultos aos orixás e festas comunitárias.
O uso de xangô revela a capacidade dessas religiões de persistirem e de constituírem repertórios identitários urbanos, mantendo memória, sociabilidade e saberes ancestrais na paisagem de Recife.
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