Questão FC591416
Lembremos rapidamente alguns indícios concretos, no cotidiano paulistano, da memória de 32 (...) o feriado de 9 de julho, reestabelecido em 1997 (...); a avenida 9 de Julho, desde
História do Brasil
VUNESP · 2015
Lembremos rapidamente alguns indícios concretos, no cotidiano paulistano, da memória de 32 (...)
- o feriado de 9 de julho, reestabelecido em 1997 (...);
- a avenida 9 de Julho, desde 1935;
- o edifício Bandeira Paulista, no largo da Memória, dos anos 1930;
- o obelisco do Ibirapuera, com a cripta dos heróis de 32, desde 1954;
- o Palácio Nove de Julho, onde funciona a Assembleia Legislativa desde os anos 1960;
- a avenida 23 de Maio, desde os anos 1970.
Muitas ruas e praças ainda lembram o feito revolucionário, como a rua MMDC, a praça Ibraim Nobre, o complexo Heróis de 32 (...). Em cidades do interior, os mesmos nomes de ruas e monumentos ligados à bandeira paulista e ao capacete do soldado constitucionalista são testemunhos dessa guerra. A memória não pode ser pensada sem seu corolário, o esquecimento (...)
[Vavy Pacheco Borges, São Paulo, 1932: em tempo de guerra In Ana
Maria de A. Camargo (coordenação), São Paulo, uma longa história]
Sobre o esquecimento ao qual o texto faz referência, é correto apontar que
- a historiografia oficial sobre o movimento constitucionalista de 1932 não oferece um lugar especial aos estudantes e às classes médias.
- não há destaque para a maior razão da derrota dos rebeldes paulistas: a traição do Partido Democrático, que preferiu manter a sua aliança com o governo federal.
- as poucas referências aos sindicalistas comunistas e socialistas, fundamentais na articulação do movimento operário na luta pela nova constituição.
- ocorre uma ação deliberada na capital paulista de esquecer o ex-presidente Getúlio Vargas, praticamente ausente na nomeação dos logradouros públicos.
- as festas em referência ao movimento de 1932 ignoram o papel central exercido pelos jornalistas, assim como pelas transmissões radiofônicas.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa aponta para um processo intencional de apagamento de memória, isto é, decisões públicas que excluem sistematicamente a figura de Getúlio Vargas da paisagem urbana paulistana.
O texto lista inúmeros monumentos e logradouros que celebram 1932 e lideranças locais, evidenciando uma escolha de memória. A ausência de Vargas nesses nomes e monumentos não é neutra.
Essa omissão decorre da política de toponímia e da gestão simbólica do espaço público, que valoriza certos eventos e atores e marginaliza outros.
Portanto, falar em esquecimento aqui é reconhecer uma prática deliberada de construção de memória coletiva, por meio da nomeação ou da exclusão de nomes nos logradouros.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em