Questão FC646989
Todos nós, homens e mulheres, adultos e jovens, passamos boa parte da vida tendo de optar entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Na realidade, entre o que consideramos bem
Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
CEBRASPE (CESPE) · 2013
Todos nós, homens e mulheres, adultos e jovens, passamos boa parte da vida tendo de optar entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Na realidade, entre o que consideramos bem e o que consideramos mal. Apesar da longa permanência da questão, o que se considera certo e o que se considera errado muda ao longo da história e ao redor do globo terrestre. Ainda hoje, em certos lugares, a previsão da pena de morte autoriza o Estado a matar em nome da justiça. Em outras sociedades, o direito à vida é inviolável e nem o Estado nem ninguém tem o direito de tirar a vida alheia. Tempos atrás era tido como legítimo espancarem-se mulheres e crianças, escravizarem-se povos. Hoje em dia, embora ainda se saiba de casos de espancamento de mulheres e crianças, de trabalho escravo, esses comportamentos são publicamente condenados na maior parte do mundo. Mas a opção entre o certo e o errado não se coloca apenas na esfera de temas polêmicos que atraem os holofotes da mídia. Muitas e muitas vezes é na solidão da consciência de cada um de nós, homens e mulheres, pequenos e grandes, que certo e errado se enfrentam. E a ética é o domínio desse enfrentamento.
Marisa Lajolo. Entre o bem e o mal. In: Histórias sobre a ética. 5.ª ed. São Paulo: Ática, 2008 (com adaptações).
A partir das ideias e das estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item que se segue.
Dado o fato de que nem equivale a e não, a supressão da conjunção “e” empregada logo após “inviolável”, manteria a correção gramatical do texto.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADO porque a conjunção nem não substitui isoladamente a conjunção e nesse contexto. No trecho "o direito à vida é inviolável e nem o Estado nem ninguém...", o e conecta duas orações independentes: afirmação sobre a inviolabilidade e a oração negativa que segue.
O conectivo nem possui valor negativo coordenativo e funciona corretamente quando integra uma estrutura negativa múltipla (como nem... nem) ou quando retoma uma negação anterior. Sem o e, a sequência ficaria desequilibrada e sonaria incorreta: "*o direito é inviolável nem o Estado...*".
Portanto, a supressão de e prejudica a coesão e a correção sintática; os dois conectivos exercem papéis distintos e complementares no período.
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