Questão FC646994
O nome é o nosso rosto na multidão de palavras. Delineia os traços da imagem que fazem de nós, embora não do que somos (no íntimo). Alguns escondem seus donos, outros lhes põem nos
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2019
O nome é o nosso rosto na multidão de palavras. Delineia os traços da imagem que fazem de nós, embora não do que somos (no íntimo). Alguns escondem seus donos, outros lhes põem nos olhos um azul que não possuem. Raramente coincidem, nome e pessoa. Também há rostos quase idênticos, e os nomes de quem os leva (pela vida afora) são completamente díspares, nenhuma letra se igualando a outra.
O do autor deste texto é um nome simples, apostólico, advindo do avô. No entanto, o sobrenome, pelo qual passou a ser reconhecido, é incomum. Sonoro, hispânico. Com uma combinação incomum de nome e sobrenome, difícil seria encontrar um homônimo. Mas eis que um surgiu, quando ele andava pelos vinte anos. E continua, ao seu lado, até agora —sombra amiga.
Impossível não existir aqui ou ali alguma confusão entre eles, um episódio obscuro que, logo, viria às claras com a real justificativa: esse não sou eu. Houve o caso da mulher que telefonou para ele, esmagando-o com impropérios por uma crítica feita no jornal pelo outro, sobre um célebre arquiteto, de quem ela era secretária.
João Anzanello Carrascoza. Homônimo. In: Diário das Coincidências. Ed. digital. São Paulo: Objetiva, p. 52 (com adaptações).
No que concerne ao texto precedente, julgue o item.
A afirmação de que alguns nomes põem nos olhos de seus donos “um azul que não possuem” contradiz a ideia de que os nomes definem não as qualidades reais de cada um, mas o modo como os outros o veem.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADO porque interpreta mal a passagem: o texto não contraria, antes corrobora a ideia de que o nome registra uma imagem social e não a essência íntima.
O trecho diz: "Delineia os traços da imagem que fazem de nós, embora não do que somos (no íntimo)", e em seguida afirma que alguns nomes "lhes põem nos olhos um azul que não possuem".
A expressão um azul que não possuem é figura que indica atribuição alheia de qualidades, isto é, uma aparência imposta pelo nome. Não afirma que o nome revela a verdade interior da pessoa.
Portanto, não há contradição: o fragmento reforça que o nome molda o modo como os outros o veem, sem corresponder obrigatoriamente ao que se é por dentro.
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