FC ConcursosFC Concursos

Questão FC646995

O nome é o nosso rosto na multidão de palavras. Delineia os traços da imagem que fazem de nós, embora não do que somos (no íntimo). Alguns escondem seus donos, outros lhes põem nos

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2019

O nome é o nosso rosto na multidão de palavras. Delineia os traços da imagem que fazem de nós, embora não do que somos (no íntimo). Alguns escondem seus donos, outros lhes põem nos olhos um azul que não possuem. Raramente coincidem, nome e pessoa. Também há rostos quase idênticos, e os nomes de quem os leva (pela vida afora) são completamente díspares, nenhuma letra se igualando a outra.

O do autor deste texto é um nome simples, apostólico, advindo do avô. No entanto, o sobrenome, pelo qual passou a ser reconhecido, é incomum. Sonoro, hispânico. Com uma combinação incomum de nome e sobrenome, difícil seria encontrar um homônimo. Mas eis que um surgiu, quando ele andava pelos vinte anos. E continua, ao seu lado, até agora —sombra amiga.

Impossível não existir aqui ou ali alguma confusão entre eles, um episódio obscuro que, logo, viria às claras com a real justificativa: esse não sou eu. Houve o caso da mulher que telefonou para ele, esmagando-o com impropérios por uma crítica feita no jornal pelo outro, sobre um célebre arquiteto, de quem ela era secretária.

João Anzanello Carrascoza. Homônimo. In: Diário das Coincidências. Ed. digital. São Paulo: Objetiva, p. 52 (com adaptações).

No que concerne ao texto precedente, julgue o item.

A informação apresentada pela oração “nenhuma letra se igualando a outra” é redundante em relação à informação apresentada na oração imediatamente anterior, servindo para reforçar-lhe o sentido.

Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Certo

Comentário do professor

A banca julgou CERTO porque entendeu que a oração "nenhuma letra se igualando a outra" funciona como uma repetição enfática da ideia anterior, ou seja, reafirma que os nomes são totalmente distintos. Em análise discursiva, esse tipo de repetição é classificado como pleonasmo quando serve para intensificar ou clarificar uma impressão já apresentada.

Embora, numa leitura literal, "completamente díspares" e "nenhuma letra..." não sejam estritamente equivalentes, no contexto do trecho a segunda oração não acrescenta nova informação relevante: ela explicita e reforça a mesma intenção do enunciador. Por isso a banca tratou-a como redundância estilística empregada para efeito enfático.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo