Questão FC654368
Atenção: Para responder a questão a seguir, leia o poema Tecendo a manhã de João Cabral de Melo Neto. Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De u
Morfologia
FCC · 2025
Atenção: Para responder a questão a seguir, leia o poema Tecendo a manhã de João Cabral de Melo Neto.
Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão.
(MELO NETO, João Cabral de. A Educação pela Pedra)
que com muitos outros galos se cruzem O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o destacado no trecho acima está também destacado em:
- Um galo sozinho não tece uma manhã
- que, tecido, se eleva por si: luz balão
- ele precisará sempre de outros galos
- De um que apanhe esse grito
- E se encorpando em tela
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Gabarito
D
Comentário do professor
De um que apanhe esse grito: o verbo apanhe está no presente do subjuntivo. A conjunção que introduz a oração subordinada e marca uma ação vista com possibilidade ou indefinição, não como fato consumado.
Morfológicamente percebe‑se pelo final em -e na 3ª pessoa do singular; a forma equivalente no indicativo seria apanha. Ex.: "É preciso que ele apanhe o grito" (subjuntivo) versus "Ele apanha o grito" (indicativo).
Sintaticamente, a escolha do subjuntivo confere ao segmento a ideia de potencialidade/hipótese sobre qual galo receberá o grito, característica que justifica a opção pela forma apanhe.
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