Questão FC654371
Interativo demais Antigamente, os escritoress eram admirados apenas pelo que publícavam em livros e revistas. Quando algum leitor gostava muito do que havia lido e queria compartil
Morfologia
FCC · 2025
Interativo demais
Antigamente, os escritoress eram admirados apenas pelo que publícavam em livros e revistas. Quando algum leitor gostava muito do que havia lido e queria compartilhar com alguém, dava o livro de presente ou emprestava o seu. O conteúdo mantinha-se preservado, assim como seu autor. Ninguém divulgava um texto de Somerset Maugham como sendo de Virgínia Woolf, ninguém infiltrava parágrafos do Rubem Braga num texto do Sartre, ninguém criava novos finais para os poemas de Cecília Meireles. O escritor e sua obra eram respeitados, e os leitores podiam confiar no que estavam consumindo.
Além disso, artistas de cinema, músicos e esportistas eram mitos a cuja intimidade não se tinha acesso. Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Ayrton Senna entregavam ao públlco o que prometiam - sua arte - e o resto era especulação. Mais tarde pipocavam biografias, saciando a curiosidade do público, mas o legado desses ícones se manteve para sempre incorruptível: eram os donos legítimos de sua imagem, de sua voz e de suas palavras.
Era uma época em que aceitávamos pacificamente nossa condíção de plateia, até que se inventou o conceito de interatividade e as femimentas para exercê-la. Por um lado, a sociedade se democratizou, todos passaram a ser ouvidos, diminuiu a distância entre patrões e empregados, produtores e consumidores: as relações ficaram mais funcionais; por outro, o uso dessas ferramentas acabou involuindo para a maledicêncía e a promiscuidade virtual. Hoje ninguém consegue mais ter controle sobre sua imagem ou seu trabalho. Um ator de televisão diz "oi" para uma amiga na rua e na manhã seguinte correm notícias de que estão de casamento marcado. Uma cantora cancela um show porque está afônica e logo surge o boato de que tentou suicídio. Um escritor publica um texto no jornal e três segundos depois o mesmo texto está na intemet, atribuído a Toulouse-Lautrec, que nem escritor foi.
(Adaptado de Martha Medeiros. A graça da coisa. L &PM Editores. 2013)
Na frase Mais tarde pipocavam biografias, saciando a curiosidade do público, a forma verbal pipocavam expressa
- uma hipótese não realizada, expressando irrealidade do fato.
- uma atividade subordinada à ideia de simultaneidade com o presente.
- um comportamento que começou no passado e se estende até o presente.
- um processo pontual e concluído no passado, reforçando o aspecto factual.
- uma ação habitual, coerente com a ideia de algo recorrente no tempo.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Pretério imperfeito do indicativo: a forma verbal pipocavam está no pretérito imperfeito e indica uma ação no passado com caráter durativo ou repetido.
Nesse contexto, Mais tarde pipocavam biografias transmite que, naquele período, o surgimento de biografias era um fato frequente, habitual, não um evento único. A escolha do imperfeito enfatiza regularidade e cenário de fundo, não conclusão pontual.
Em termos práticos, trata-se de ação habitual: repetia-se ao longo do tempo. Compare: Antigamente publicavam-se crônicas toda semana ou Os jornais traziam críticas com frequência. Assim, pipocavam reforça a ideia de recorrência no passado.
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