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Questão FC654375

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte. [A força necessária dos princípios] Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo

Morfologia

FCC · 2025

Para responder à questão, baseia-se no texto seguinte.

 

[A força necessária dos princípios]

 

Não vamos subestimar a força daquilo a que nos opomos. O mundo é, para todos nós, aquilo sobre o qual não temos quase nenhum controle. O senso comum e o sentido de autoproteção nos dizem para nos acomodarmos àquilo que não podemos mudar.

 

Não é difícil ver como alguns de nós poderíamos ser convencidos da justiça, da necessidade das violências. Pense-se numa guerra que é formulada como série de ações militares pequenas, que irão de fato contribuir para a paz ou reforçar a segurança. Todas as violências na guerra foram justificadas como uma retaliação necessária: estamos nos defendendo, eles é que querem nos matar.

 

Diante das violências em curso, alguém dotado de um principio moral parece alguém que corre ao lado de um trem e grita: "Pare! Pare!" O trem pode ser detido? Será que outras pessoas dentro do trem vão se sentir dispostas a saltar e unir-se aos que estão fora? Talvez alguns o façam, mas não a maioria.

 

Agir por principio é um gesto político, no sentido de que não estamos fazendo isso por nós mesmos. Não fazemos isso só para agir corretamente ou para aplacar a nossa consciência; muito menos porque estamos certos de que a nossa ação vai de fato alcançar o seu objetivo. Resistimos como um ato de solidariedade com todas as pessoas e comunidades que agem igualmente por algum principio moral.

 

As ações comandadas por um bom principio nos dizem que não temos de pensar se agir por principio é adequado, ou se podemos contar com o êxito final das ações que levamos a efeito. Agir por principio é bom em si mesmo. Os princípios nos convidam a fazer algo a respeito do pântano de contradições em que agimos moralmente. Os princípios nos convidam a ter mais rigor em nossas ações, ser intolerantes com a frouxidão moral, a contemporização, a covardia e com a fuga diante do que é perturbador. No curso da História encontram-se os grandes modelos de resistência, os feitos daqueles que, por principio, agiram dizendo não à negação dos princípios justos. Inspiremo-nos nesses modelos.

 

(Adaptado de: SONTAG, Susan. Ao mesmo tempo. Trad. Rubens

Figueiredo. São Paulo, Companhia das Letras, p.192-193, passim)

 

É correta a flexão de todas as formas verbais na frase:

  1. Ele se vangloria dos momentos em que se dispora a agir segundo os melhores princípios.
  2. Caso a situação não requisesse a adoção de um princípio ético, teria sido mais fácil perdoá-lo.
  3. Se eles não intervirem de modo a resguardar seus princípios, melhor será que se abstenham.
  4. As provas de sua falta de princípios recomporam-se nessa última manifestação sua.
  5. No início ele perdeu a paciência, mas logo a reouve em nome de seus bons princípios.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Reaver é formado pelo prefixo re‑ + o verbo haver, por isso segue o mesmo padrão de conjugação de haver. No pretérito perfeito de indicativo, a forma de haver é houve; analogamente, a forma correspondente de reaver é reouve.

Observe a omissão do "h" ao juntar o prefixo re‑ ao radical: escreve‑se reouve, não rehouve. Assim, a locução "No início ele perdeu a paciência, mas logo a reouve em nome de seus bons princípios." está correta porque o verbo concorda em pessoa e tempo com o sujeito ele.

Portanto, a flexão apresentada é a esperada pela derivação morfológica e pela regra de escrita do prefixo.

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