Questão FC654396
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Instintos e (des)civilização Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta
Morfologia
FCC · 2022
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Instintos e (des)civilização
Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta as duas guerras mundiais, talvez menos do que pareça. O padrão é conhecido: situações de conflito armado, morticínios, cataclismos naturais, migrações dramáticas, colapsos econômicos agudos. São fatos que revelam a fragilidade da fina superfície de civilidade e decoro sobre a qual assenta a nossa civilização.
Sob o impacto do abalo provocado por desastres como esses, o comportamento das pessoas sofre uma drástica mutação: enquanto alguns, em geral poucos, agem de forma solidária e até mesmo heroica, a maior parte da população atingida regride a um estado de violência e selvageria no qual a lógica do “salve-se quem puder” deságua na rápida escalada dos furtos, assaltos, saques, crimes e vandalismo. Quase que num piscar de olhos, o cordato cidadão civilizado se transforma em besta feroz, capaz das piores atrocidades.
Como entender esse perturbador fenômeno? A interpretação usual propõe um modelo conhecido: o ser humano no fundo é um animal selvagem e terrível. Remova os sustentáculos elementares da ordem civilizada; dispa a camisa de força social; suspenda, ainda que brevemente, a vigilância e a ameaça de punição aos infratores do código legal, e, em pouco tempo, retrocedemos ao “estado natural” e à “guerra de todos contra todos”. Os episódios de regressão à barbárie seriam, em suma, o psiquismo arcaico do animal humano posto a nu. É essa uma tese tão aceita quanto controversa: o que vem à tona não é mais o homem natural e primitivo; trata-se agora do “descivilizado”, livre das amarras civilizatórias e preso a um novo psiquismo violento. A “natureza” que já fora expelida traz agora, em seu retorno, as marcas e as feridas de sua violenta expulsão.
(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 125-126)
Todos os verbos estão adequadamente flexionados na frase:
- Se ele se retratar e conter seus instintos, volto a considerá-lo um rapaz civilizado.
- Eles passaram a nos respeitar desde que dispôramos de meios para confrontá-los.
- Se elas se proporem a pagar por suas violências, ouviremo-las com atenção.
- Eles não quererão reincidir em brutalidades depois que reavermos nosso poder de direito.
- Ainda que revíssemos nosso projeto civilizatório, eles não suporiam ter que rever o deles.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A frase está correta por compatibilidade de tempos e função sintática dos infinitivos.
revíssemos está no Pretérito Imperfeito do Subjuntivo, adequado ao conectivo concessivo ainda que, que admite hipótese contrafactual.
suporiam é Futuro do Pretérito do indicativo, tempo que faz boa correlação com o pretérito imperfeito do subjuntivo na oração subordinada concessiva, marcando a consequência provável/hipotética.
Os verbos ter e rever aparecem no infinitivo. Aqui ter atua como núcleo de uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida, objeto de suporiam, e rever complementa essa construção.
A locução ter que rever expressa obrigação/necessidade, com que funcionando como marcador antes do infinitivo; assim, a cadeia verbal mantém coerência temporal e sintática.
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