Questão FC654408
Sobre a tranquilidade da alma Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não pod
Morfologia
FCC · 2025
Sobre a tranquilidade da alma
Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs.
E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam á altivez orgulhosa de si.
Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.
Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa caminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.
(Adaptado de SÊNECA. Sobre a tranqullldade da alma. Trad. José Rodrigues Seabra Filho. São Paulo: Nova Alexandria. 1994, p. 51)
Ainda que venham a excitar a alma, alguns dos nossos desejos não serão contemplados.
A adequada correlação entre os tempos e os modos da frase acima estará mantida nesta outra configuração, substituindo-se os elementos sublinhados, respectivamente, por:
- tenham excitado - não terão sido contemplados.
- viessem a excitar - não tinham sido contemplados.
- excitassem - não foram contemplados.
- excitem- não teriam contemplado.
- tivessem excitado - não contemplarão.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Ainda que rege o modo subjuntivo em orações concessivas. Como a oração principal refere-se a um fato futuro e acabado, a ação da subordinada deve ser anterior a esse futuro; por isso usa-se tenham excitado, isto é, o pretérito perfeito composto do subjuntivo, que indica hipótese já ocorrida em relação ao momento futuro.
Já não terão sido contemplados é o futuro composto do indicativo na voz passiva (formado por terão + sido + particípio), equivalente a futuro perfeito em que a não realização se apresenta como resultado no porvir.
Portanto, a combinação mantém a correlação temporal e modal: subjuntivo perfeito para a ação anterior e futuro perfeito passivo para o estado de não contemplação que se verifica depois.
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