Questão FC654410
A arte de um sorriso inesquecível Há criaturas que não precisam fazer nada para serem pungentes. Irradiam com naturalidade a força de um acolhimento tão fácil como precioso, envolv
Morfologia
FCC · 2025
A arte de um sorriso inesquecível
Há criaturas que não precisam fazer nada para serem pungentes. Irradiam com naturalidade a força de um acolhimento tão fácil como precioso, envolvem-nos numa aura de aceitação generosa. Despertam na gente uma comoção discreta e inexplicável, não se sabe se pelo modo de olhar, de falar, ou pelo simples magnetismo da presença.
Com elas, nosso dia pode imediatamente ficar melhor e mais auspicioso. São bem raras, que pena. Bastaria que esbarrássemos com mais frequência numa delas para que a vida ficasse bem melhor. Constituem um antídoto certo para o azedume, o rancor, o ressentimento que nos ameaçam a toda hora.
A esse respeito, lembro a personagem central do filme “Noites de Cabíria”, de Federico Fellini. Interpretada pela atriz italiana Giulietta Masina, Cabíria é o nome de uma pobre, doce e ingênua prostituta, que vive na periferia de Roma. Na cena final do filme, depois de espoliada, humilhada e abandonada por um homem que a enganou com promessas caseiras, a mulher caminha de volta para casa, derrotada, atravessando um bosque. Nele vê-se de repente ao lado de um grupo de adolescentes, que cantam e dançam com grande animação e sensualidade, quais jovens faunos e ninfas representados numa clareira mítica, numa tela clássica.
Aos poucos, a funda melancolia do rosto de Cabíria deixa-se atravessar e vencer pela força crescente de um sorriso resignado, expressão maior da poesia e da afirmação da vida que resiste dentro dela. Por fim, irradiada pelo olhar indescritivelmente expressivo de Giulietta Masina, a imagem daquela mulher que não desiste da magia da vida parece saltar da tela e imprimir-se no fundo de nós. A grande arte vive desses sortilégios.
(CASTRO, Domenico de. A editar)
"Bastaria que esbarrássemos com mais frequência numa delas para que a vida ficasse bem melhor."
Numa nova redação, a articulação entre os tempos e os modos verbais da frase acima permanecerá correta caso se substituam as formas sublinhadas, na ordem dada, por:
- Bastava - esbarremos - tivesse ficado
- Bastará - venhamos a esbarrar - fique
- Terá bastado - esbarrássemos - tinha ficado
- Baste - tenhamos esbarrado - tenha ficado
- Teria bastado - teríamos esbarrado - venha a ficar
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Gabarito
B
Comentário do professor
Correlação verbal refere-se à harmonia entre os tempos e modos dos verbos. Aqui, a oração principal “bastará” está no futuro do presente, que admite como compatíveis verbos subordinados no presente do subjuntivo quando se expressa hipótese ou consequência futura.
A expressão venhamos a esbarrar reúne o presente do subjuntivo (venhamos) seguido de a + infinitivo, funcionando como forma hipotética equivalente a “caso venhamos a esbarrar”. Essa construção é adequada para relacionar-se com bastará, pois indica possibilidade futura.
Já fique está no presente do subjuntivo, exigido pela locução final para que quando se expressa finalidade ou consequência potencial. Assim, todas as formas mantêm a correlação verbal correta e a coerência do enunciado.
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