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Questão FC654422

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente Importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos

Morfologia

FCC · 2025

Atenção: Para responder a questão abaixo, considere o texto a seguir.

 

Como arquiteto e paisagista, pertenço ao grupo de estudiosos que adota o ponto de vista do ordenador, que difere do planejador, embora ambos façam parte de um mesmo processo. O enfoque do ordenador resume-se na tentativa de avaliação da cidade como uma estrutura global do meio ambiente e não somente como uma série de elementos que fortuitamente se interligaram. É possível, por exemplo, avaliar a cidade em termos de experiência pela qual passam todas as pessoas que nela vivem. Primeiro, constroem as ruas, implantam a infraestrutura, depois os prédios e, se sobrar espaço, colocam uma ou duas árvores ou um chafariz. Em torno disso, pessoas e automóveis.

 

Outra forma de avaliação da cidade seria através da relação entre quatro elementos: edifícios, espaço para veículos, espaço para pedestres e elementos naturais. Estamos tão acostumados a viver rodeados por edifícios e automóveis que não nos ocorre a possibilidade de questionar se eles estão fora de proporção. O espaço para pedestres é o que sobrou do espaço destinado aos automóveis. Caminhamos contornando as calçadas, ao longo das ruas ou através de estacionamentos, se o automóvel nos der passagem. Nas cidades, especialmente no centro, a vegetação constitui apenas um elemento decorativo. Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não tem nenhuma função especifica.

 

Na arquitetura, uma extensa série de argumentos históricos demonstram que as árvores não são necessárias à ordenação urbana. Um dos sempre repetidos é que a praça São Marcos, em Veneza, não tem árvores. Mas esse é um tipo de argumento evasivo, pois não explica como foi construída a praça São Marcos. 

 

É preciso não esquecer que uma árvore tem funções comparáveis as de um prédio. Ela molda o espaço, dá abrigo, modera o clima e estabelece relacionamento entre nós e os espaços mais amplos que nos rodeiam. Como um dos principais elementos do meio ambiente, não é apenas uma peça decorativa, colocada defronte a um edifício: ordena o espaço da mesma maneira que a arquitetura molda o espaço.

 

Além das árvores e outros elementos que compõem o conjunto urbano, é igualmente Importante considerar o tipo de relação que existe entre edifícios, veículos, pedestres e elementos naturais. Tomemos o caso de São Paulo. Sobrevoando a cidade de helicóptero, o panorama é espantoso. Por que um povo inteligente construiria edifícios de vinte andares, com fachadas cheias de janelas, afastadas a cada quatro ou cinco metros, através das quais os moradores só podem se ver uns aos outros?

 

(Adaptado de: ECKBO. Garret. O Paisagismo nas Grandes Metrópoles. São Paulo: Ateliê, 2008, pp. 39-42)

 

Acerca do uso das formas verbais no texto, considere as seguintes afirmativas:

 

I. Em Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função especifica (2º parágrafo), o verbo têm está no presente do Indicativo, em vez de seguir o futuro do pretérito do verbo faria, pois corrobora a asserção da frase imediatamente anterior.

 

II. A pergunta que termina o texto emprega o verbo construir no futuro do pretérito, de maneira a reforçar a ironia de uma pergunta retórica.

 

III. Em questionar se eles estão fora de proporção (2º parágrafo), o verbo também pode ser empregado no presente do subjuntivo, estejam, uma vez que é antecedido de conjunção condicional. 

 

Está correto o que consta de

  1. III, apenas.
  2. I, apenas.
  3. II e III, apenas.
  4. I e II, apenas.
  5. I, II e III.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa D está correta: os itens I e II justificam-se no contexto do trecho.

I. Em "Se as plantas fossem de plástico, não faria diferença nenhuma, já que não têm nenhuma função específica", o verbo têm aparece no presente do indicativo porque afirma um fato considerado vigente pelo enunciador: a vegetação, nas áreas citadas, não desempenha função além da decoração. O uso do presente corrobora essa constatação, enquanto faria marca a hipótese condicionada.

II. A pergunta final "Por que um povo inteligente construiria edifícios...?" usa construiria no futuro do pretérito para conferir tom crítico e irônico. Trata-se de uma pergunta retórica que não busca resposta, mas reforça a reprovação do autor ao modelo de edificação descrito.

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