Questão FC654427
Eu vos pergunto: pode a experiência do mais velho servir às hesitações do jovem, fazer o jovem superar essas hesitações, convencer o jovem a não mais render culto às hesitações?
Morfologia
FCC · 2022
Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.
[Vida literária]
Aqueles que fazem versos e já atingiram a idade madura costumam receber cartas de outros que também os fazem, mas estão na casa dos vinte. Parece que esse é um dos prêmios (muito discutíveis) de envelhecer: ser solicitado pelos mais novos a dar opiniões sobre os vagidos do talento. O moço apresenta-se confiante, às vezes entusiástico, sempre respeitoso; o “mestre” responde benévolo, paciente, minucioso, interessado em pormenores biográficos, ocultando sua vaidade sob um verniz de simpatia: “Escreva sempre, meu filho.” A isto se chama vida literária.
Sendo a literatura fenômeno socializante por excelência, contudo permanece fenômeno individual quanto à produção. E eu vos pergunto: pode a experiência do mais idoso servir à hesitação do jovem, dissolvê-la em certeza, encaminhá-la a rumo certo? Haverá utilidade nessa conversa de gerações?
É certo que cinco ou dez anos depois a receita do mais velho foi esquecida e o mestre com ela. Sucede também que após esse lapso de tempo o mestre seja, não esquecido, mas negado. Ataca-se o mestre, descobre-se que ele o não é. Noventa (que digo? cem por cento) de nossas admirações da adolescência resolvem-se em indiferença, vergonha ou desprezo. Na força do adulto, vingase o homem das debilidades do período de crescimento físico e intelectual, negando o que adorara. Os mestres de poesia não escapam a essa contingência, e ao escreverem uma “carta ao jovem poeta” deveriam meditar bem na escolha das palavras e no prazo de validade do sortilégio.
Mas o pessimismo da verificação não deve secar no homem de cinquenta o terno interesse pelo rapaz de vinte. O admirador juvenil é tão autêntico e honesto quanto o lapidador de vinte e cinco ou trinta. Cada idade tem sua moral e sua sensibilidade.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond. Passeios na ilha. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 113-114)
Eu vos pergunto: pode a experiência do mais velho servir às hesitações do jovem, fazer o jovem superar essas hesitações, convencer o jovem a não mais render culto às hesitações?
Evitam-se as viciosas repetições do período acima substituindo-se os segmentos sublinhados, na ordem dada, por:
- fazê-lo − convencê-lo − lhes render culto
- fazer-lhe − convencer-lhe − render culto às mesmas
- fazê-lo − lhe convencer − render-lhes culto
- o fazer − o convencer − a render culto
- lhe fazer − lhe convencê-lo − lhe rendê-la culto
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
A
Comentário do professor
Fazê-lo: os verbos fazer e convencer exigem aqui objeto direto (o jovem). Substitui‑se esse objeto pelo pronome o, e quando o verbo infinitivo termina em R o pronome se aglutina substituindo R por L, formando fazê‑lo.
Convencê‑lo: mesma lógica. Convencer + objeto direto → pronome o; verbo em infinitivo terminado em R transforma a sequência em convencê‑lo. A vírgula antes do verbo favorece a ênclise em vez da próclise.
Lhes render culto: em render culto às hesitações o núcleo culto é objeto direto e às hesitações é objeto indireto marcado pela preposição. Substitui‑se esse objeto indireto pelo pronome lhes (plural). O advérbio mais atrai o pronome para antes do verbo, gerando lhes render culto.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em