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Questão FC654437

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O colégio de Tia Gracinha Tia Gracinha, cujo nome ficou no grupo escolar Graça Guardia, de Cachoeiro do Itapemirim, er

Morfologia

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

O colégio de Tia Gracinha

 

Tia Gracinha, cujo nome ficou no grupo escolar Graça Guardia, de Cachoeiro do Itapemirim, era irmã de minha avó paterna, mas tão mais moça que a tratava de mãe. Tenho do colégio de Tia Gracinha uma recordação em que não sei o que é lembrança mesmo e lembrança de conversa que ouvi menino.

 

Lembro-me, sobretudo, do pomar e do jardim do colégio, e imagino ver moças de roupas antigas, cuidando das plantas. O colégio era um internato de moças. Elas não aprendiam datilografia nem taquigrafia, pois o tempo era de pouca máquina e nenhuma pressa. Moças não trabalhavam fora. As famílias de Cachoeiro e de muitas outras cidades do Espírito Santo mandavam suas adolescentes para ali; muitas eram filhas de fazendeiros. Recebiam instrução geral, uma espécie de curso primário reforçado, o mais eram prendas domésticas. Trabalhos caseiros e graças especiais: bordados, jardinagem, francês, piano...

 

A carreira de toda moça era casar, e no colégio de Tia Gracinha elas aprendiam boas maneiras. Levavam depois, para as casas de seus pais e seus maridos, uma porção de noções úteis de higiene e de trabalhos domésticos, e muitas finuras que lhes davam certa superioridade sobre os homens de seu tempo. Pequenas etiquetas que elas iam impondo suavemente, e transmitiam às filhas.

 

Tudo isto será risível aos olhos das moças de hoje; mas a verdade é que o colégio de Tia Gracinha dava às moças de então a educação de que elas precisavam para viver sua vida. Não apenas o essencial, mas muito mais do que, sendo supérfluo e superior ao ambiente, era por isto mesmo, de certo modo, funcional – pois a função do colégio era uma certa elevação espiritual do meio a que servia. Tia Gracinha era o que bem se podia chamar uma educadora.

 

(Abril, 1979)

 

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Recado de primavera. Rio de Janeiro: Record, 1984, p. 52-53)

Está adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:

  1. O estabelecimento de ensino era conhecido como colégio da Tia Gracinha, nome próprio do qual se recorreu para depois batizar um grupo escolar.
  2. Os valores a que tinham acesso as alunas daquele colégio eram tradicionais, de acordo com as expectativas daquela época.
  3. As esperanças de cujas se nutriam aquelas alunas repousavam sobretudo num bom casamento e numa vida doméstica bem administrada.
  4. A desenvoltura em práticas de atenta higiene era uma das qualidades de que as moças deviam se aplicar naquele colégio.
  5. Um paralelo entre a educação de hoje e a daquele internato de moças soará risível, pois a liberdade é hoje uma condição à qual ninguém abre mão.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Os valores a que tinham acesso as alunas daquele colégio eram tradicionais...

A escolha "a que" está correta porque o substantivo "acesso" exige a preposição "a" para introduzir seu complemento. Assim, o termo relativo que retoma "valores" deve aparecer precedido dessa preposição.

O pronome relativo "que" liga a oração subordinada ao antecedente ("valores") e, quando necessário, recebe a preposição exigida pela regência do substantivo ou verbo. A combinação a + que cumpre essa função de maneira adequada e frequente no registro escrito.

Em síntese, a correção sintática decorre da regência do substantivo acesso, que impõe a preposição, e do uso do pronome relativo para retomar o antecedente.

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