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Questão FC654443

Aqui e ali, continua a formular-se a velha pergunta: se fosse obrigado a passar seis meses numa ilha deserta, com direito a levar vinte livros, que obras escolheria?

Morfologia

FCC · 2022

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Vinte livros na ilha

 

Aqui e ali, continua a formular-se a velha pergunta: se fosse obrigado a passar seis meses numa ilha deserta, com direito a levar vinte livros, que obras escolheria?

 

A indagação é capciosa e convida à cisma, quando a resposta exige cálculo e meditação. Entre o sonho da aventura e o exame das preferências que podem ou devem ser confessadas, há espaço, não para vinte livros, mas para toda uma cultura de homem, com as suas inclinações, as suas idiossincrasias e principalmente as suas deficiências. Como o problema da cultura é também um problema de ordem pessoal, que não se resolve senão no sentido da nossa formação humana, fazer tal pergunta a uma pessoa é quase indagar da qualidade de sua inteligência e da profundidade de sua alma. Os seus vinte livros preferidos serão outros tantos retratos ou feições do seu espírito.

 

No fundo da pergunta, porém, é fácil descobrir logo outra preocupação, além dessa declarada sobre os tais vinte livros. E vem a ser o gosto romântico que todos nós guardamos pela viagem, cada vez menos possível, às terras misteriosas que a civilização não desencantou. No mundo moderno, esse nomadismo elementar do homem encontra satisfação nas inúmeras possibilidades que lhe oferecem trens, aviões e navios em contínuo movimento a serviço do comércio e do tédio capitalista. Resta, portanto, um recurso: viajar só, para uma ilha deserta. Ou naufragar, como Robinson Crusoé, e ir anotar sensações novas de viagem numa ilha distante, onde houvesse coqueiros, macacos, passos na areia...

 

(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Confissões de Minas. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 203-204)

 

Todos nós temos um traço romântico que gostamos de preservar.

 

A frase acima permanecerá gramaticalmente correta caso se substitua o elemento sublinhado por:

  1. de que amamos cultuar.
  2. cujo mantemos vivo.
  3. onde nos orgulhamos.
  4. de que não abrimos mão.
  5. ao qual nos envaidecemos.
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Gabarito

D

Comentário do professor

De que não abrimos mão está correta porque respeita a regência verbal de abrir mão, locução verbal exigindo a preposição de. Nessa estrutura a preposição antecede o pronome relativo que retoma o antecedente "traço romântico".

O pronome que funciona aqui como pronome relativo, ligando a oração subordinada ("não abrimos mão") à oração principal ("Todos nós temos um traço romântico"). A preposição necessária não pode ser suprimida sem comprometer a regência do verbo.

Assim, a frase completa mantém-se gramaticalmente correta: Todos nós temos um traço romântico de que não abrimos mão. A negação ("não") posiciona-se antes do verbo, preservando o sentido de recusa em renunciar a esse traço.

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