Questão FC654464
Considere o poema de José Miguel Wisnik para responder à questão abaixo. O anel que tu me deste Não guardei nem esqueci Ele nunca se quebrou Fui eu que me perdi O anel que tu me le
Morfologia
FCC · 2025
Considere o poema de José Miguel Wisnik para responder à questão abaixo.
O anel que tu me deste
Não guardei nem esqueci
Ele nunca se quebrou
Fui eu que me perdi
O anel que tu me lembras
Meu escuro escondeu
Ele nunca se partiu
Quem partiu de si fui eu
Eu ainda não sabia
Que existia o puro dom
Que era feito de verdade
Desapego e solidão
Tudo então que nos unia
Numa voz e uma canção
Nele brilha solitário
Diamante escuridão
Sob a luz estroboscópica
Do agito de um salão
Que ainda dança a nossa volta
Com as décadas que se vão
Retiraste de teu dedo
Sem nenhuma hesitação
e o puseste com cuidado
Na palma da minha mão
Era a luz alucinada
De um estranho festival
Nada ali anunciava
O teu gesto e o cristal
O amor que tu me tinhas
Não tem nome nem lugar
Luz que vem da mesma liga
Do anel a nos ligar
(O anel. José Miguel Wisnik)
A conjunção "nem", nos versos Não guardei nem esqueci e Não tem nome nem lugar, estabelece, no contexto em que se encontra, ideia de
- concessão.
- temporalidade.
- adição.
- conclusão.
- causa.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa correta é adição.
A conjunção nem funciona aqui como equivalente a "e não", unindo termos sob a mesma negação. Ou seja, além de negar, ela soma dois elementos que partilham essa negação.
No verso "Não guardei nem esqueci", lê‑se "Não guardei e não esqueci": há a junção de duas ações, ambas negadas.
No verso "Não tem nome nem lugar", ocorre o mesmo: são dois núcleos coordenados que compartilham a ausência, somados pela conjunção.
Portanto, nem estabelece relação de adição entre termos negados, caracterizando‑se como conjunção coordenativa aditiva.
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