Questão FC654530
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Se é verdade que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria, então esta verdade é um triste comentário à s
Semântica
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Se é verdade que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria, então esta verdade é um triste comentário à sabedoria do homem moderno. Quaisquer que sejam os méritos de nosso elevado grau de educação literária e universal, perdemos o dom de ficar perplexos. Imagina-se que tudo seja conhecido − senão por nós, por algum especialista cujo mister seja saber aquilo que não sabemos. De fato, ficar perplexo é constrangedor, um indício de inferioridade intelectual. À medida que vamos envelhecendo, aos poucos perdemos a capacidade de ficar surpresos. Até as crianças raramente se surpreendem, ou pelo menos procuram não demonstrar isso. Saber as respostas certas parece ser o principal; em comparação, considera-se insignificante o saber fazer as perguntas certas.
Quiçá seja esta atitude uma razão por que um dos mais enigmáticos fenômenos de nossa vida, os nossos sonhos, dê margem a pouco espanto e suscite tão poucas perguntas. Todos sonhamos: não entendemos nossos sonhos, e no entanto agimos como se de nada estranho corresse em nossas mentes adormecidas, estranho ao menos em comparação com as atividades lógicas, deliberadas, de nossas mentes quando estamos acordados.
Quando acordados, somos seres ativos, racionais, ávidos por tentar obter o que desejamos e prontos a defender-nos contra qualquer ataque. Agimos e observamos; vemos o mundo exterior, talvez não como seja, mas no mínimo de maneira tal que o possamos usar e manipular. Todavia, também somos bastante desprovidos de imaginação, e raramente − exceto quando crianças ou se somos poetas − logramos conceber mais do que meras duplicações dos acontecimentos e tramas de nossa experiência concreta. Somos eficientes, mas um tanto desenxabidos. Denominamos ao campo de nossa observação diurna “realidade” e orgulhamo-nos de nosso “realismo” e de nossa habilidade de manipulá-la.
(Adaptado de: FROMM, Erich. A linguagem esquecida. Trad.: VELHO, Octavio Alves. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1966)
No trecho Somos eficientes, mas um tanto desenxabidos, o termo “desenxabidos” pode ser substituído por:
- distintos.
- triviais.
- extraordinários.
- sofisticados.
- insólitos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
"Somos eficientes, mas um tanto desenxabidos." No contexto, a expressão qualifica a falta de vivacidade e imaginação mesmo diante da eficiência prática.
O termo desenxabido carrega a ideia de algo insípido, sem graça, monótono, que não desperta interesse nem criatividade.
A palavra triviais abriga sentido equivalente: significa banais, ordinários, sem maiores qualidades, ou seja, de caráter pouco original ou marcante.
Assim, substituir desenxabidos por triviais preserva o sentido da frase, expressando que, embora eficazes, os homens modernos são pouco imaginativos e apresentam atitudes comuns e sem brilho.
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