Questão FC654540
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo. Nos poços Primeiro você cai num Poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a cur
Semântica
FCC · 2026
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.
Nos poços
Primeiro você cai num Poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê.
(Adaptado de: ABREU, Caio Fernando. O ovo apunhalado, 2025)
A materialidade das imagens, referentes a termos como "pedras", "limo", "água", "terra" e "cheiro" assume no texto um valor conotativo que
- sugere neutralidade descritiva, afastando o texto de qualquer caráter simbólico.
- reforça o realismo da narrativa, afastando o texto de qualquer expressão metafórica.
- descreve objetivamente o ambiente subterrâneo, sem recorrer à dimensão simbólica.
- remete a um mergulho simbólico no inconsciente e na regeneração interior.
- exprime apenas a percepção tátil do espaço, limitando-se à experiência sensorial direta.
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Gabarito
D
Comentário do professor
As imagens sensoriais do trecho funcionam conotativamente como convite a um mergulho interior. Termos como pedras, limo, umidade, água, terra e cheiro não descrevem apenas a fisicalidade do poço, mas concretizam sensações psíquicas.
Pedras sugerem resistências ou estruturas internas; limo e umidade remetem ao material originário do inconsciente; água e terra aludem a processos de gestação e renovação; cheiro ativa memórias e afetos.
A repetição e a expressão poço do poço indicam uma descida por camadas cada vez mais profundas da subjetividade. A frase morrer um pouco aparece como morte simbólica que possibilita renascimento e regeneração interior.
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