Questão FC654566
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo. A cabeça do caboclo é muito diferente da cabeça de quem mora na cidade e vive exposto aos meios de comunicação de massa. Cab
Semântica
FCC · 2026
Atenção: Para responder à questão, leia o texto abaixo.
A cabeça do caboclo é muito diferente da cabeça de quem mora na cidade e vive exposto aos meios de comunicação de massa. Caboclo é a gente mais real-fantasiosa que há. Ao mesmo tempo que é desconfiado, como seus ancestrais indígenas, é também muito crédulo. Admira a retórica na boca de gente elegante e enganadora. Concebe-se como o matuto não merecedor de privilégios dos entendidos. São sonhadores, mas sabem como ninguém que sonho é só para se sonhar e deve ficar sempre somente na cabeça. Caboclo gosta mesmo é da orgia da mata, com a excelsa cantoria da passarinhada, de insetos, de répteis e de mamíferos selvagens ou domesticados. Embebeda-se com o cheiro das plantas nativas e capins ou árvores plantadas. Reverencia a água, uma de suas maiores fontes de alimentação. A natureza é sua maior sedutora e musa inspiradora. Caboclo não se casa. Junta-se. E comunga tudo com a(o) companheira(o): trabalho, esperança, sonhos, pesares, ignorâncias, enfados, boia, pirão, alegrias e prazeres caboclos. E nem precisa de cartório para legalizar as coisas. Vale a palavra de honra do caboclo. Cartório é coisa para o citadino, que deve se precaver do calote civilizado. Mas caboclo também não é santo. Mente. E quando mente, jura por todos os santos que está falando a verdade. Cruel é o coração que não lhe acredita. A mulher cabocla não engravida. Embucha. Fica de barriga. Emprenha. No mato, esta não sofre dos melindres da mulher urbana. Tudo o que vier a sentir faz parte da trama da multiplicação.
(Adaptado de: SANTOS Janete. Ideologia cabocla. 61 cronistas do Amapá, 2020)
No trecho “Tudo o que vier a sentir faz parte da trama da multiplicação”, o verbo “vier” está empregado no modo subjuntivo para:
- expressar eventualidade e incerteza, projetando ações futuras de caráter hipotético.
- indicar ação habitual e certa, situada no plano da experiência concreta.
- marcar uma relação temporal de anterioridade em relação ao verbo principal.
- apresentar valor imperativo, associado à expressão de conselho e ordem.
- funcionar como auxiliar modal, que reforça o tom afirmativo da oração.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Vier é forma do futuro do subjuntivo do verbo vir usada na oração relativa "tudo o que vier a sentir". Nesse modo, o verbo não afirma um acontecimento certo, mas situa uma ação possível e incerta no tempo posterior ao enunciado.
Funciona como marca de eventualidade: indica que qualquer sensação que venha a ocorrer no futuro entra na "trama da multiplicação". A construção equivale a "qualquer coisa que venha a sentir" ou "se vier a sentir".
Portanto, o emprego de vier projeta situações futuras de caráter hipotético e incerto, exatamente o sentido apontado na alternativa correta.
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