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Questão FC654574

A arte de um sorriso inesquecível Há criaturas que não precisam fazer nada para serem pungentes. Irradiam com naturalidade a força de um acolhimento tão fácil como precioso, envolv

Semântica

FCC · 2025

A arte de um sorriso inesquecível

 

Há criaturas que não precisam fazer nada para serem pungentes. Irradiam com naturalidade a força de um acolhimento tão fácil como precioso, envolvem-nos numa aura de aceitação generosa. Despertam na gente uma comoção discreta e inexplicável, não se sabe se pelo modo de olhar, de falar, ou pelo simples magnetismo da presença.

 

Com elas, nosso dia pode imediatamente ficar melhor e mais auspicioso. São bem raras, que pena. Bastaria que esbarrássemos com mais frequência numa delas para que a vida ficasse bem melhor. Constituem um antídoto certo para o azedume, o rancor, o ressentimento que nos ameaçam a toda hora.

 

A esse respeito, lembro a personagem central do filme “Noites de Cabíria”, de Federico Fellini. Interpretada pela atriz italiana Giulietta Masina, Cabíria é o nome de uma pobre, doce e ingênua prostituta, que vive na periferia de Roma. Na cena final do filme, depois de espoliada, humilhada e abandonada por um homem que a enganou com promessas caseiras, a mulher caminha de volta para casa, derrotada, atravessando um bosque. Nele vê-se de repente ao lado de um grupo de adolescentes, que cantam e dançam com grande animação e sensualidade, quais jovens faunos e ninfas representados numa clareira mítica, numa tela clássica.

 

Aos poucos, a funda melancolia do rosto de Cabíria deixa-se atravessar e vencer pela força crescente de um sorriso resignado, expressão maior da poesia e da afirmação da vida que resiste dentro dela. Por fim, irradiada pelo olhar indescritivelmente expressivo de Giulietta Masina, a imagem daquela mulher que não desiste da magia da vida parece saltar da tela e imprimir-se no fundo de nós. A grande arte vive desses sortilégios.

 

(CASTRO, Domenico de. A editar)

 

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

  1. Irradiam com naturalidade a força de um acolhimento (1º parágrafo) = indicam expressamente o poder de um acatamento.
  2. envolvem-nos numa aura de aceitação generosa (1º parágrafo) = conduzem-nos a um torpor inefável.
  3. Constituem um antídoto certo para o azedume (2º parágrafo) = ratificam com eficácia a amargura.
  4. força crescente de um sorriso resignado (4º parágrafo) = fibra gradual de um sorrir irrefletido.
  5. imprimir-se no fundo de nós (4º parágrafo) = gravar-se no cerne do nosso ser.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Imprimir‑se e gravar‑se compartilham a mesma imagem metafórica de deixar uma marca duradoura: ambas indicam que algo permanece registrado na memória ou na sensibilidade da pessoa.

Fundo de nós e cerne do nosso ser equivalem ao núcleo íntimo, ao lugar interior onde se alojam emoções e impressões profundas.

Assim, a equivalência proposta preserva o efeito literário e semântico do original: uma experiência que não apenas passa, mas se fixa internamente, transformando‑se numa presença contínua no íntimo do sujeito.

O registro reflexivo (imprimir‑se / gravar‑se) reforça que a marca é sofrida pelo próprio eu, confirmando a precisão da tradução proposta.

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