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Questão FC654597

Escolha ética do sujeito Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se

Semântica

FCC · 2025

Escolha ética do sujeito

 

Afirma o psiquiatra e terapeuta suíço Carl Gustav Jung, em seu livro Memórias, sonhos e reflexões: "Quando se toca no mal, corre-se o risco iminente de se sucumbir a ele. O homem, de um modo geral, não deve sucumbir nem mesmo ao bem. Um pretenso bem ao qual se sucumbe perde seu caráter moral, não porque tenha se tomado um mal em si, mas porque simplesmente se sucumbiu a ele."

 

Nessa passagem Jung faz compreender a condicionante decisiva desse especial e mais grave "sucumbir" que nos vítima: nossa submissão sem volta a um campo de julgamento em que os valores já estão firmados e crlstalizados em polarizações mecânicas.

 

Para Jung, o bem e o mal "constítuem, juntamente, um todo paradoxal". E continua: "o Indivíduo [ ... ] procura ansiosamente as regras e as leis exteriores às quais possa ater-se cegamente nos momentos de perplexidade". E lembra ele que é comum atribuir a essas regras e leis exteriores a qualificação definitiva de "fatos", antes mesmo de qualquer busca de comprovação.

 

Pode parecer-nos oportuno abandonar, por exemplo, a complexidade dos desafios do nosso tempo para nos submetermos á ideologia mais confortável e simplificadora, à qual passamos a nos agarrar sem sombra de reflexão mais séria. Escolhemos aquilo que nos parece mais natural, mais fácil. No entanto, antes de julgar o valor da especifica escolha adotada no cardápio vicioso de valores já assentados, Jung considera, assim, o malefício fundamental do nosso acatamento irrefletido de uma escolha que, a rigor, sequer chegamos a escolher.

 

(Silvério Tárrega, a editar)

 

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

  1. acatamento irrefletido de uma escolha (4º parágrafo)= sujeição da crítica a uma única opção.
  2. risco iminente de se sucumbir (1º parágrafo)= perigo transitório de se deixar tentar.
  3. compreender a condicionante decisiva (2º parágrafo)= dar-se conta da cláusula determinante.
  4. às quais possa ater-se cegamente (3º parágrafo) = nas quais tenha fé de modo irresoluto.
  5. sem sombra de reflexão mais séria (4º parágrafo)= à margem de uma revelação menos sombria.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Compreender traduz-se por dar‑se conta: implica passar da mera percepção à consciência reflexiva sobre algo.
Já condicionante decisiva equivale a cláusula determinante, expressão que ressalta um elemento ou fator capaz de determinar efeitos ou limitar escolhas.

Assim, a equivalência proposta devolve o sentido original sem perder nuances. Dar‑se conta realça o ato de tomar consciência crítica; cláusula determinante conserva a ideia de condição que impõe um quadro rígido de julgamento.

No contexto de Jung, a locução sublinha que é preciso reconhecer a força condicionante que leva o sujeito a sucumbir aos valores cristalizados, antes de aceitar‑los passivamente.

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