Questão FC654599
Interativo demais Antigamente, os escritoress eram admirados apenas pelo que publícavam em livros e revistas. Quando algum leitor gostava muito do que havia lido e queria compartil
Semântica
FCC · 2025
Interativo demais
Antigamente, os escritoress eram admirados apenas pelo que publícavam em livros e revistas. Quando algum leitor gostava muito do que havia lido e queria compartilhar com alguém, dava o livro de presente ou emprestava o seu. O conteúdo mantinha-se preservado, assim como seu autor. Ninguém divulgava um texto de Somerset Maugham como sendo de Virgínia Woolf, ninguém infiltrava parágrafos do Rubem Braga num texto do Sartre, ninguém criava novos finais para os poemas de Cecília Meireles. O escritor e sua obra eram respeitados, e os leitores podiam confiar no que estavam consumindo.
Além disso, artistas de cinema, músicos e esportistas eram mitos a cuja intimidade não se tinha acesso. Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Ayrton Senna entregavam ao público o que prometiam - sua arte - e o resto era especulação. Mais tarde pipocavam biografias, saciando a curiosidade do públíco, mas o legado desses ícones se manteve para sempre incorruptível: eram os donos legítimos de sua imagem, de sua voz e de suas palavras.
Era uma época em que aceitávamos pacificamente nossa condíção de plateia, até que se inventou o conceito de interatividade e as femimentas para exercê-la. Por um lado, a sociedade se democratizou, todos passaram a ser ouvidos, diminuiu a distância entre patrões e empregados, produtores e consumidores: as relações ficaram mais funcionais; por outro, o uso dessas ferramentas acabou involuindo para a maledicêncía e a promiscuidade virtual. Hoje ninguém consegue mais ter controle sobre sua imagem ou seu trabalho. Um ator de televisão diz "oi" para uma amiga na rua e na manhã seguinte correm notícias de que estão de casamento marcado. Uma cantora cancela um show porque está afônica e logo surge o boato de que tentou suicídio. Um escritor publica um texto no jornal e três segundos depois o mesmo texto está na intemet, atribuído a Toulouse-Lautrec, que nem escritor foi.
(Adaptado de Martha Medeiros. A graça da coisa. L &PM Editores. 2013)
A articulação entre os trechos O conteúdo mantinha-se preservado e Ninguém divulgava um texto de [ .. ] (1º parágrafo), em relação ao último período do parágrafo, pode ser descrita como de
- finalidade: o anonimato servia para manter o conteúdo intacto.
- causalidade: o respeito à autoria era o motivo da preservação textual.
- proporcionalidade: as ações descritas ocorriam gradativamente.
- condição: o conteúdo era preservado se o autor fosse respeitado.
- adversidade: a preservação do conteúdo contrariava o costume da época.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Causalidade: o trecho afirma uma relação de causa e efeito entre as duas ideias.
A expressão "Ninguém divulgava um texto..." representa a causa: havia respeito às autorias e às formas originais dos textos.
Já "O conteúdo mantinha-se preservado" é a consequência: por esse respeito, os textos e a imagem dos autores não eram alterados nem deturpados.
O encadeamento lógico é direto: a prática de não atribuir erradamente, inserir trechos de outros autores ou reescrever finais gerava como resultado a integridade das obras.
Podemos sintetizar: respeito à autoria ⇒ preservação textual, ou seja, o motivo pelo qual o conteúdo permanecia intacto era o cuidado com a autoria.
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