Questão FC654679
Considere o texto abaixo para responder a questão. Muitos e muitos anos atrás, antes do asfalto, quando a rodovia Fernão Dias ou era um mar de pó ou um mar de lama, as viagens eram
Sintaxe
FCC · 2025
Considere o texto abaixo para responder a questão.
Muitos e muitos anos atrás, antes do asfalto, quando a rodovia Fernão Dias ou era um mar de pó ou um mar de lama, as viagens eram aventuras. Eu morava no interior de Minas e o jeito de vir a Campinas para ver a namorada era arranjar carona em algum caminhão. Pois foi numa destas vezes que o motorista, delicadamente, para inicio de uma conversa que prometia ser muito longa, me perguntou: "E o que é que você faz?" Eu poderia ter dito simplesmente: "Sou professor". Isto ele entenderia perfeitamente, pois já havia frequentado escolas, sabia muitas coisas sobre professores, e passaria então a contar de suas proezas na aritmética e suas dificuldades com a língua pátria. Mas eu, tolo, e para dar um ar de importância, respondi: "Sou professor de filosofia ... " O rosto do motorista se iluminou num largo sorriso. "Até que enfim", ele disse. "Faz anos que eu quero saber o que é filosofia e até hoje não encontrei ninguém que me explique. Mas hoje tenho a sorte de ter um professor de filosofia como companheiro de viagem. Afinal de contas, o que é filosofia?"
Não tenho memória alguma do que lhe disse como inútil explicação.
(ALVES, Rubens. O retorno e terno. Papirus, Campinas, 2010)
A expressão do trecho que realça um segmento da frase sem exercer função sintática está sublinhado em:
- não tenho memória alguma do que lhe disse como inútil explicação.
- quando a rodovia Fernão Dias ou era um mar de pó
- Isto ele entenderia perfeitamente
- "E o que é que você faz?"
- sabia muitas coisas sobre professores
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Gabarito
D
Comentário do professor
"E o que é que você faz?" A expressão em destaque funciona como partícula expletiva, isto é, um elemento de realce ou coloquialidade que não desempenha nenhuma função sintática na oração.
Esse uso pertence ao fenômeno conhecido como idiomatismo, em que palavras ou locuções aparecem por convenção discursiva e não por necessidade sintática.
Prova prática: a frase mantém sentido e estrutura gramatical se suprimirmos a expressão ("E o que você faz?"), logo não integra sujeito, predicado, objeto ou adjunto.
Portanto, "é que" é o segmento que realça o enunciado sem exercer função sintática, justificando a escolha da alternativa correta.
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