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Questão FC654715

Para responder a questão, considere o texto de Mario Quintana. Velha história Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão p

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

FCC · 2022

Para responder a questão, considere o texto de Mario Quintana.

 

Velha história

 

Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no "17"! – o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial...

 

Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho:

 

“Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!...”

 

Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando até que o peixinho morreu afogado...

 

(Mario Quintana. Eu passarinho. São Paulo: Ática, 2014)

 

Verifica-se o emprego de vírgula para separar um vocativo em:

  1. Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. (1º parágrafo)
  2. Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. (3º parágrafo)
  3. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava a trote, que nem um cachorrinho. (1º parágrafo)
  4. Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. (2º parágrafo)
  5. Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. (4º parágrafo)
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Gabarito

A

Comentário do professor

Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Aqui a vírgula isola o nome Maria como vocativo, ou seja, um chamamento dirigido à interlocutora do enunciado.

O vocativo é termo acessório: pode ser retirado sem prejuízo sintático da oração. A vírgula é obrigatória para marcá‑lo quando aparece deslocado, evitando que o nome seja interpretado como termo integrante da ação.

Sem a vírgula, haveria ambiguidade: poderia entender‑se que "Maria" é o objeto de "pescando". A pausa gráfica, portanto, esclarece o sentido e torna clara a função de chamamento.

Por isso, a alternativa indicada está correta: a vírgula separa adequadamente o vocativo.

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