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Questão FC654721

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Sombra Sombra, explicava a sabida boneca Emília, de Monteiro Lobato, é ar preto. Criança, não me tranquilizei: do escuro só pod

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Sombra

 

Sombra, explicava a sabida boneca Emília, de Monteiro Lobato, é ar preto. Criança, não me tranquilizei: do escuro só podiam surgir fantasmas, apagar a luz era dar uma oportunidade aos duendes e demônios do quarto. Só a luz possuía o dom confortante de tocar deste mundo os habitantes do outro.

 

No ginásio, estudante de Física, não me tranquilizei. Sombra é o resultado da interposição de um corpo opaco entre o observador e o corpo luminoso, sinal de que muitos corpos luminosos deixam de banhar-nos com sua luz desejável, sinal de que nos faltam felicidades, de que muitos sóis necessários se interromperam em sua viagem até nossos olhos.

 

Não perguntar o que um homem possui, mas o que lhe falta. Isso é sombra. Não indagar de seus sentimentos, mas saber o que ele não teve a ocasião de sentir. Sombra. Não se importar com o que ele viveu, mas prestar atenção à vida que não chegou até ele, que se interrompeu de encontro a circunstâncias invisíveis, imprevisíveis. A vida é um ofício de luz e trevas. Enquadrá-lo em sua constelação particular, saber se nasceu muito cedo para receber a luz da estrela ou se chegou ao mundo quando de há muito se extinguiu o astro que deveria iluminá-lo.

 

Ontem vi uma menininha descobrindo sua sombra. Ela parava de espanto, olhava com os olhos arregalados, tentava agarrar a sombra, andava mais um pouco, virava de repente para ver se o seu fantasma ainda a seguia. Era a representação dramática de um poema infantil de Robert Stevenson, no qual uma menininha vai e vem, rodeando, saltando, gesticulando com seus bracinhos diante de sua sombra, implorando por uma explicação impossível, dançando um balé que será a sua própria vida.

 

(Adaptado de: CAMPOS, Paulo Mendes. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 211-212)

 

Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase:

  1. Ao que parece, o cronista teme, não só as sombras do escuro, mas também os mistérios que aqui e ali de modo intempestivo, nos envolvem.
  2. À negatividade das sombras o cronista opõe, de modo resoluto, a vantagem da luz, entendida esta como instância de esclarecimento da vida.
  3. Seria interessante, que o autor estampasse, nessa sua crônica os versos infantis, do poeta Robert Stevenson caracteristicamente dramáticos.
  4. A menininha do poema de Robert Stevenson demonstraria diante da sombra, receios semelhantes, aos que já assinalara o cronista.
  5. Nenhuma aula de Física por mais clara que seja, consegue afastar de alguém, o temor que naturalmente deriva, das sombras que nos cercam.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A pontuação está adequada porque as vírgulas isolam corretamente o adjunto adverbial de modo. Ao colocar de modo resoluto entre vírgulas, o autor destaca a maneira da ação sem interromper a relação sujeito-verbo-objeto.

A vírgula que antecipa entendida esta como instância de esclarecimento da vida marca o início de uma oração reduzida de particípio de caráter explicativo. Essa oração aporta informação acessória sobre a vantagem da luz, justificando a pontuação explicativa.

Assim, as pausas preservam a clareza sintática e respeitam as funções dos constituintes: o sujeito e o verbo não são indevidamente separados, e o complemento recebe a caracterização necessária de forma clara e natural.

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